Vida e Saúde

Anvisa aprova Mounjaro para tratamento do diabetes tipo 2 em crianças e adolescentes

Primeiro agonista dos receptores GIP/GLP-1 autorizado para uso pediátrico no Brasil amplia opções terapêuticas

Agência O Globo - 22/04/2026
Anvisa aprova Mounjaro para tratamento do diabetes tipo 2 em crianças e adolescentes
- Foto: Reprodução

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, nesta quarta-feira (22), o uso da tirzepatida (Mounjaro) para o tratamento do diabetes tipo 2 em crianças e adolescentes de 10 a 17 anos. Trata-se do primeiro e único medicamento da classe de agonistas dos receptores GIP/GLP-1 aprovado para pacientes pediátricos com a condição no Brasil.

“Crianças e adolescentes com essa condição enfrentam uma doença de progressão mais veloz do que em adultos, e as opções disponíveis até hoje frequentemente apresentavam limitações para controlar adequadamente os níveis glicêmicos. Mounjaro chega como uma resposta inovadora, com eficácia robusta e perfil de segurança bem estabelecido, para transformar a jornada do cuidado dessa população, que por conceito, é mais vulnerável”, destaca Luiz André Magno, diretor médico sênior da Lilly.

O diabetes tipo 2, historicamente associado à vida adulta, tornou-se uma epidemia silenciosa entre crianças e adolescentes brasileiros. O Brasil está entre os dez países com maior número de casos de diabetes tipo 2 na faixa etária pediátrica em todo o mundo.

Segundo dados da Sociedade Brasileira de Diabetes, cerca de 213 mil adolescentes vivem com a condição no país, enquanto outros 1,46 milhão estão em situação de pré-diabetes. Esse aumento está diretamente relacionado à epidemia de obesidade infantil: atualmente, um em cada três adolescentes brasileiros apresenta excesso de peso, e estima-se que aproximadamente um terço das crianças diagnosticadas com diabetes tenham o tipo 2 da doença.

A aprovação da Anvisa baseou-se nos resultados de um estudo clínico de fase avançada, publicado em setembro de 2025 na revista científica The Lancet. O tratamento demonstrou redução significativa da hemoglobina glicada em comparação ao placebo após 30 semanas. Em um desfecho secundário, 86,1% dos participantes que receberam a dose de 10 mg de Mounjaro atingiram o alvo de hemoglobina glicada igual ou inferior a 6,5%.

Além disso, a maior dose avaliada (10 mg) reduziu o índice de massa corporal (IMC) em média 11,2% em 30 semanas. As melhorias na hemoglobina glicada e as reduções no IMC se mantiveram por 52 semanas na extensão de longo prazo do estudo.

Os eventos adversos mais comuns foram gastrointestinais transitórios, como diarreia, náusea, vômito e dor abdominal. Esses efeitos colaterais foram classificados como leves a moderados e ocorreram principalmente durante o período de escalonamento da dose.