Vida e Saúde

Bactéria da escarlatina é identificada em múmia pré-colombiana e revela novas pistas sobre a doença

Trabalho foi publicado na revista científica Nature Communications

Agência O Globo - 17/04/2026
Bactéria da escarlatina é identificada em múmia pré-colombiana e revela novas pistas sobre a doença
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Pesquisadores identificaram material genético da bactéria responsável pela escarlatina ao analisarem um dente de um crânio naturalmente mumificado, preservado no Museu Nacional de Arqueologia de La Paz, na Bolívia.

A excelente preservação do DNA permitiu a reconstrução de um genoma quase completo da bactéria, trazendo novas informações sobre a evolução do patógeno. Segundo o bioquímico boliviano Guido Valverde, da Eurac Research, "a cepa antiga carregava muitos – embora não todos – dos genes patogênicos encontrados em cepas modernas de Streptococcus pyogenes".

A equipe utilizou uma técnica capaz de reconstruir genomas antigos a partir de fragmentos curtos de DNA, conseguindo montar um genoma quase completo do Streptococcus pyogenes.

Após análises, os cientistas constataram que o genoma apresenta claras semelhanças com cepas modernas da bactéria, principal causadora da escarlatina, doença infecciosa e contagiosa, além da síndrome do choque tóxico.

Circulação anterior à colonização

O estudo aponta que a bactéria já circulava entre populações indígenas da América do Sul antes da colonização europeia, já que o dente analisado pertence a um jovem mumificado do período entre 1283 e 1383 d.C.

As análises genéticas também indicam que as linhagens da maioria das cepas modernas de Streptococcus pyogenes começaram a se multiplicar há cerca de 5.000 anos, favorecendo a disseminação e diversificação do patógeno, que é transmitido principalmente por gotículas e contato.

O DNA da bactéria foi encontrado bem preservado devido às condições secas e frias do altiplano boliviano, que também favoreceram a mumificação natural do crânio, atribuído ao Período Intermediário Tardio (1100-1450 d.C.). Os resultados foram publicados na revista científica Nature Communications.