Vida e Saúde
Estudo identifica substâncias tóxicas em vapes vendidos ilegalmente no Brasil
Pesquisa liderada por cientistas da PUCRS aponta riscos à saúde em produtos sem fiscalização
Um estudo realizado pelo Instituto do Petróleo e dos Recursos Naturais (IPR) da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), encomendado pelo Instituto de Pesquisa Rosenfield, revelou que cigarros eletrônicos — conhecidos como vapes — comercializados ilegalmente no Brasil contêm substâncias tóxicas consideradas preocupantes em outros países.
De acordo com Pâmela de Medeiros Engelmann, doutora em engenharia e tecnologias de materiais pela PUCRS, os jovens estão expostos a produtos sem controle de qualidade e com composição desconhecida . "Isso aumenta o risco de consumo de substâncias não declaradas ou em concentrações contidas. Além disso, a percepção de que os vapes seriam menos contrabalançados que o cigarro convencional pode levar à subestimação dos riscos, especialmente diante da irregularidade e falta de padronização desses produtos", destaca.
Desde 2009, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proíbe a comercialização de vapes no Brasil. Diante desse cenário, os pesquisadores analisaram a composição dos líquidos presentes nos dispositivos vendidos no mercado ilegal.
Para a análise, foram seguidas as diretrizes da Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde (MHRA), referência para a legislação do Reino Unido, já que o Brasil ainda não possui normas específicas sobre a composição desses produtos.
Os resultados apontaram a presença de duas substâncias tóxicas consideradas perigosas pela regulamentação do Reino Unido e dos Estados Unidos: diacetil , um aromatizante usado para realçar sabores, e acetato de vitamina E , utilizado para absorver o líquido.
"As amostras comprovadas não são produzidas no Brasil, mas concentradas em e-líquidos comercializados ilegalmente no país. Investigamos a presença de 12 compostos orgânicos e 10 metais, com foco em substâncias químicas tóxicas ou de interesse regulatório", explica Engelmann.
Segundo a American Lung Association, o diacetil está associado a danos pulmonares, podendo causar bronquiolite obliterante, conhecida como doença do “pulmão de pipoca” — condição irreversível que pode exigir transplante.
O acetato de vitamina E, por sua vez, é encontrado especialmente em cigarros eletrônicos com tetrahidrocanabinol (THC), principal psicoativo da Cannabis sativa . Nos Estados Unidos, foi identificado como o principal agente causador de lesões pulmonares relacionadas ao uso de cigarros eletrônicos, referência à EVALI.
Além disso, uma pesquisa detectou aldeídos como formaldeído, acetaldeído e acroleína , capazes de causar eficiência nas vias respiratórias e, em alguns casos, apresentar potencial carcinogênico. “Mesmo a nicotina, quando presente em altas concentrações, como observado nas amostras, pode aumentar o risco de dependência e efeitos cardiovasculares”, alerta Engelmann.
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