Vida e Saúde
Escola de Medicina e Cirurgia da Unirio celebra 114 anos em meio a incertezas com mudança do hospital universitário
Hospital Universitário Gaffrée e Guinle, na Tijuca, passou por uma fusão com o Hospital Federal dos Servidores do Estado, e futuro do prédio ainda não foi definido
A Escola de Medicina e Cirurgia (EMC) da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) completa 114 anos nesta quarta-feira, uma das mais antigas instituições de ensino do país, e homenageia seis professores eméritos em cerimônia no anfiteatro do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle (HUGG), na Tijuca, às 9h30, em meio a incertezas sobre o futuro do prédio do HUGG devido a uma fusão com o Hospital Federal dos Servidores do Estado (HFSE).
— A EMC é a quarta mais antiga de medicina do Brasil, por lá passaram muitas figuras importantes da história do país. É uma escola muito tradicional, e os professores homenageados já estavam na instituição quando o HUGG foi doado pela família Guinle para o governo, que o repassou para a EMC. É uma escola de muito prestígio, hoje 10 professores fazem parte da Academia Nacional de Medicina (ANM) — diz Rossano Fiorelli, segundo secretário da ANM e professor de Técnica Cirúrgica e Cirurgia Experimental da Unirio.
Entre os homenageados estão Carlos de Oliveira, doutor em Anatomia Patológica pela Universidade Federal Fluminense (UFF), ex-diretor da EMC e professor também da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC - Rio), e Carlos Giesta, doutor em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ex-presidente da Secção de Cirurgia da ANM e 1º chefe do Serviço de Ortopedia e Traumatologia do HUGG.
A noite também homenageia Mário Lima, ex-diretor da EMC, ex-chefe do Serviço de Clínica de Doenças Infecciosas e Parasitárias e ex-presidente da Associação Médica Brasileira (AMB); Pietro Novellino, doutor em Cirurgia pela UFRJ, ex-reitor da Unirio e ex-presidente da ANM, e Omar Santos, que faleceu em novembro do ano passado e foi ex-chefe do Serviço de Clínica Médica e de Nefrologia do HUGG.
Os cinco nomes também são membros da ANM. Além deles, o professor emérito Mário Giordano, doutor em Ginecologia pela UFRJ, também fará parte das homenagens.
Incertezas sobre o futuro do HUGG
A comemoração da EMC ocorre em meio a incertezas sobre o futuro do HUGG em meio à fusão com o Hospital Federal dos Servidores do Estado (HFSE), que foi cedido pelo Ministério da Saúde à Unirio, criando o novo Hospital Universitário dos Servidores do Estado (HUSE). A unidade é administrada pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (HU Brasil, antiga Ebserh).
A faz iniciativa parte do Plano de Reestruturação dos Hospitais e Institutos Federais da pasta da Saúde. Com a mudança, formalizada no final do ano passado, toda a assistência hospitalar do HUGG vai ser concentrada para o prédio do antigo HFSE, na Gamboa, e ainda não se sabe qual será o futuro do prédio da Tijuca, que completa 100 anos em 2029. A migração dos serviços para o novo HUSE terá prazo de um ano.
Ao fim desse prazo, a expectativa é ter 472 leitos ativos no novo hospital. Em 2025, segundo o documento da proposta de fusão, já havia 173 leitos ativos no HUGG, e 278 no HFSE. O objetivo da criação do novo hospital é consolidá-lo como um dos quatro maiores universitários do país, com capacidade superior à combinada das duas unidades individualmente.
O HSFE é conhecido por ser uma unidade de referência em casos de alto risco, oncologia, hematologia, pediatria, doenças cardiovasculares e renais crônicas com hemodiálise. Também atua em transplantes de rim, córnea e esclera, obesidade mórbida e saúde bucal.
Já o Gaffrée e Guinle tem foco na área de obstetrícia e parto normal, ortopedia de alta complexidade, atenção psicossocial, transplantes de córnea e esclera, mastologia e cirurgia reparadora. Além disso, é referência nacional no tratamento de HIV/Aids e saúde auditiva com implantes.
No entanto, Fiorelli afirma que uma preocupação dos docentes da Unirio com a fusão dos hospitais é que a estrutura do HUGG, cujo centro cirúrgico e de maternidade passou por obras recentes, deixa de ser destinado à assistência hospitalar de média e alta complexidade:
— Estão transferindo todo o corpo de recursos humanos e equipamentos do HUGG para o Hospital dos Servidores, deixando o prédio vazio. Somos projetados para incorporação do HFSE à Unirio, mas queremos uma alternativa para que o HUGG continue funcionando como um hospital. É uma pena uma unidade de 100 anos ser deixada nesse estado.
Entre os possíveis planos para o prédio na proposta de fusão, estão a alocação do Instituto Biomédico (IB) da Unirio, a criação de novos cursos universitários, de um restaurante universitário, a instalação de uma clínica da família e de um Centro de Atenção Psicossocial (Caps) e a criação de um Centro para Tratamento de Doenças Crônico-Degenerativas.
— Mas é um hospital que tem todas as enfermarias reformadas, com ar condicionado, rede de oxigênio, maternidade recém-reformada, centro cirúrgico reformado há dois anos. Não faz sentido fechar tudo isso numa cidade em que a fila de espera por atendimento hospitalar é quilométrica e prestar um outro tipo de serviço — afirma Fiorelli.
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