Vida e Saúde

Alto consumo de carne pode reduzir risco de demência em idosos com variante genética, aponta estudo

Trabalho foi publicado na revista científica JAMA Network Open

Agência O Globo - 14/04/2026
Alto consumo de carne pode reduzir risco de demência em idosos com variante genética, aponta estudo
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Pesquisadores do Instituto Karolinska identificaram uma associação entre o consumo frequente de carne vermelha e um menor risco de demência em idosos. Segundo a equipe responsável pelo novo estudo, essa relação foi observada apenas entre pessoas que possuem duas variantes do gene APOE4, presentes em 70% dos casos de demência na Suécia.

Uma pesquisa revelou que o baixo consumo de carne revelou em mais que o dobro do risco de demência, em comparação com pessoas sem as variantes APOE 3/4 e APOE 4/4.

“Este estudo testou a hipótese de que pessoas com APOE 3/4 e 4/4 tenham um risco reduzido de declínio cognitivo e demência com maior ingestão de carne, com base no fato de que o APOE4 é uma variante evolutivamente mais antiga do gene APOE e pode ter surgido durante um período em que nossos nossos ancestrais evolutivos tinham uma dieta mais baseada em produtos de origem animal”, explica Jakob Norgren, pesquisador do Departamento de Neurobiologia, Ciências do Cuidado e Sociedade do Instituto Karolinska.

Por outro lado, o efeito não foi observado no grupo de idosos com essas variantes genéticas que causaram alto consumo de carne (cerca de 870 gramas por semana). Além disso, o tipo de carne consumida foi determinante: os resultados positivos foram especialmente associados ao consumo de carne vermelha processada.

"Há uma carência de pesquisas sobre a relação entre dieta e saúde cerebral, e nossos resultados sugerem que as recomendações dietéticas convencionais podem ser desfavoráveis ​​para um subgrupo da população geneticamente definido. Para aqueles que sabem que pertencem a esse grupo de risco genético, os resultados oferecem esperança; o risco pode ser modificado por meio de mudanças no estilo de vida", ressalta Norgren.

O estudo, publicado na revista científica JAMA Network Open , acompanhou mais de 2 mil participantes do Estudo Nacional Sueco sobre Envelhecimento e Cuidados, chamado Kungsholmen (SNAC-K), todos com mais de 60 anos, durante até 15 anos.

No entanto, os resultados divergem de pesquisas realizadas na última década, que associam o consumo excessivo de carne vermelha a uma pior saúde cognitiva na terceira idade.

Os pesquisadores destacam que o estudo é observacional e que são necessários estudos de intervenção para comprovar relações causais.

"São necessários ensaios clínicos para desenvolver recomendações dietéticas personalizadas para o genótipo APOE. Como a prevalência do alelo APOE4 é cerca de duas vezes maior nos países nórdicos do que nos mediterrâneos, estamos particularmente bem posicionados para realizar pesquisas sobre recomendações dietéticas personalizadas para esse grupo de risco", conclui o pesquisador.