Vida e Saúde

Maior estudo sobre enjoo na gravidez revela seis novas ligações genéticas

Trabalho foi publicado na revista científica Nature Genetics

Agência O Globo - 14/04/2026
Maior estudo sobre enjoo na gravidez revela seis novas ligações genéticas
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A hiperêmese gravídica (HG), forma mais grave de náuseas e vômitos durante a gravidez, afeta cerca de 2% das gestantes. Pesquisadores da Universidade do Sul da Califórnia, nos EUA, já haviam relacionado o gene GDF15 à condição. Agora, um novo estudo divulgado nesta terça-feira (14) revela seis novas ligações genéticas associadas à HG.

Considerado o maior levantamento já realizado sobre hiperêmese gravídica, o estudo analisou dados de 10.974 mulheres com a condição e 461.461 participantes do grupo de controle, abrangendo ascendências europeia, asiática, africana e latina. Os resultados foram publicados na revista científica Nature Genetics.

“Como este é o maior estudo sobre HG já realizado, conseguimos desvendar novos detalhes importantes que eram desconhecidos anteriormente. O fato de termos estudado mulheres de múltiplos grupos ancestrais sugere que esses resultados podem ser generalizáveis para uma ampla população”, afirmou Marlena Fejzo, Ph.D., professora assistente no Centro de Epidemiologia Genética da Escola de Medicina Keck, que liderou o estudo.

Foram identificados dez genes ligados à HG: quatro já conhecidos — GDF15; GFRAL, responsável pelo receptor do hormônio GDF15; além de IGFBP7 e PGR, ambos envolvidos no desenvolvimento da placenta — e seis novos: FSHB, TCF7L2, SLITRK1, SYN3, IGSF11 e CDH9.

Os genes identificados estão relacionados a hormônios-chave da gravidez, apetite, náusea, insulina, metabolismo, mecanismos de adaptação cerebral e outros desfechos gestacionais.

O destaque vai para o gene TCF7L2, considerado um dos fatores de risco genéticos mais relevantes para o diabetes tipo 2 e também associado ao diabetes gestacional. Além disso, alguns genes ligados à HG mostraram relação com menor duração da gestação, baixo peso ao nascer e pré-eclâmpsia, condição grave de hipertensão na gravidez.

“Agora que mais que dobramos o número de genes associados à hiperêmese gravídica, podemos investigar mais profundamente a biologia dessa condição e novas possibilidades de tratamento”, acrescenta Fejzo.

Atualmente, o principal medicamento utilizado para tratar a HG é a ondansetrona (nome comercial Zofran), que alivia os sintomas apenas parcialmente. A equipe já recebeu aprovação para iniciar um ensaio clínico com metformina.

Segundo os pesquisadores, o objetivo é avaliar se a administração de metformina antes da gravidez pode dessensibilizar as mulheres ao hormônio, potencialmente reduzindo náuseas e vômitos ou prevenindo a hiperêmese gravídica em quem já apresentou o quadro.