Vida e Saúde

Quantidade moderada de café pode proteger contra ansiedade e depressão, aponta estudo

Pesquisa indica que o consumo de duas a três xícaras diárias está ligado a menor risco de transtornos de humor

Agência O Globo - 13/04/2026
Quantidade moderada de café pode proteger contra ansiedade e depressão, aponta estudo
café - Foto: Depositphotos Foto: https://depositphotos.com/

Mais do que um simples estímulo, a tradicional xícara de café matinal pode representar um aliado para o bem-estar mental. Um estudo recente conduzido por pesquisadores da Universidade de Fudan, na China, revelou que o consumo moderado de café — equivalente a duas a três xícaras por dia — está associado a um risco reduzido de ansiedade e depressão, segunda informações do site especializado Medical Xpress .

O objetivo da equipe foi investigar se a quantidade e o tipo de café consumido diariamente influenciam o risco de desenvolver estresse e transtornos de humor ao longo do tempo. Para isso, foram analisados ​​dados do UK Biobank, um dos maiores bancos de dados médicos do mundo, acompanhando os hábitos alimentares de 461.586 homens e mulheres com boa saúde mental no início do estudo, durante uma média de 13,4 anos.

Os participantes relataram que o consumo diário de café e sua saúde mental foram monitorados ao longo do tempo. Ao final do período, foram registrados mais de 18 mil novos casos de transtornos de humor e estresse, proporcionando uma base robusta para análise.

De acordo com os resultados publicados na revista científica Journal of Affective Disorders, o consumo moderado — cerca de duas a três xícaras de 250 ml por dia — apresentou uma menor associação com riscos de transtornos. O padrão observado é uma curva em forma de J: os benefícios atingem o pico em níveis moderados e diminuem em extremos. Ou seja, tanto o consumo muito baixo quanto o exagerado tiveram resultados menos planejados em comparação com o equilíbrio.

No extremo superior, a ingestão de cinco ou mais xícaras por dia foi relacionada a um risco maior de transtornos de humor, indicando que o excesso pode ser prejudicial. O efeito protetor do café foi mais significativo entre os homens do que entre as mulheres.

Os pesquisadores também avaliaram a influência genética, analisando a probabilidade de risco poligênico dos participantes — que medem a eficiência do metabolismo da cafeína conforme variantes genéticas. Concluíram que essas diferenças biológicas não alteraram de forma significativa a associação entre o consumo de café e o risco de transtornos de humor.

Os transtornos mentais figuram entre as crises globais mais urgentes, afetando milhões de pessoas e prejudicando a qualidade de vida. Diante do avanço do problema, os cientistas buscam alternativas além dos tratamentos convencionais, investigando hábitos cotidianos, como a alimentação, como possíveis ferramentas de prevenção.

O café tem despertado interesse científico por conter cafeína, substância bioativa que promove alerta ao bloqueio da adenosina — neurotransmissor ligado à fadiga. Em doses moderadas, a cafeína estimula a dopamina, neurotransmissor associado ao prazer, motivação e aprendizado. Níveis baixos de dopamina estão ligados à fadiga, mau humor e desmotivação, o que sugere que seu aumento pode contribuir para o bem-estar.

As descobertas do estudo podem orientar médicos em conversas sobre escolhas de estilo de vida e alimentação que favorecem a saúde mental. No entanto, o café não é uma solução universal: a sensibilidade à cafeína varia de pessoa para pessoa, e alguns indivíduos podem apresentar nervosismo, inquietação ou palpitações mesmo com consumo moderado.