Vida e Saúde

Ser mais otimista pode diminuir risco de demência, aponta pesquisa

Estudo revela que uma visão positiva da vida pode reduzir em pelo menos 15% o risco de desenvolver demência

Agência O Globo - 12/04/2026
Ser mais otimista pode diminuir risco de demência, aponta pesquisa
Ser mais otimista pode diminuir risco de demência, aponta pesquisa - Foto: Depositphotos

Crescem as evidências de que manter uma atitude positiva pode ajudar adultos a preservar a saúde e a agilidade mental até a velhice, tornando a fragilidade menos inevitável. A mais recente pesquisa sobre o tema indica que adotar uma perspectiva otimista da vida pode reduzir o risco de demência em pelo menos 15%.

Otimismo como fator protetor

"Identificar o otimismo como um fator psicossocial protetor destaca seu potencial valor no apoio ao envelhecimento saudável", afirmam os autores em artigo publicado no Journal of the American Geriatrics Society.

O estudo acompanhou mais de 9 mil adultos cognitivamente saudáveis, participantes do Health and Retirement Study, nos Estados Unidos, durante cerca de 14 anos. A idade média dos participantes era de 73 anos. O otimismo foi avaliado por meio do Life Orientation Test, que mede o grau de otimismo a partir de dez perguntas sobre expectativas em relação ao futuro.

No contexto da pesquisa, otimismo foi definido como a tendência de esperar resultados positivos e manter esperança diante de situações futuras. Exemplos de afirmações analisadas incluem: "Em tempos incertos, geralmente espero o melhor" e "Sou otimista em relação ao meu futuro".

Segundo os pesquisadores, não se trata apenas de enxergar o lado bom das situações, mas de uma forma fundamental de encarar desafios. O pessimismo, por sua vez, envolve a expectativa de desfechos negativos e o foco em possíveis problemas, avaliado por respostas a frases como: "Se algo pode dar errado para mim, dará".

Primeiras evidências da relação entre otimismo e demência

Este é um dos primeiros estudos a investigar se o otimismo influencia o risco de desenvolver demência em idosos cognitivamente saudáveis.

Os resultados apontaram que cada aumento de seis pontos no índice de otimismo estava associado a uma redução de 15% no risco de demência.

"Juntamente com pesquisas anteriores, nossas descobertas reforçam a possibilidade de que o otimismo contribua causalmente para a saúde cognitiva e possa ser considerado um fator positivo para o cérebro", concluem os autores.

Os participantes tiveram sua saúde cognitiva avaliada periodicamente, por meio de testes de memória, para identificar possíveis casos de demência. Dessa forma, os pesquisadores puderam descartar a hipótese de que a relação fosse inversa — ou seja, que sinais precoces de demência levassem a uma perspectiva menos otimista.

Mesmo após excluir os casos de demência surgidos nos primeiros dois anos do estudo, a associação entre otimismo e menor risco permaneceu consistente. Embora as razões exatas ainda não estejam claras, os autores sugerem que o efeito pode estar relacionado à forma como o organismo responde ao estresse.

"Diversos processos podem explicar como o otimismo influencia o risco de demência", escrevem. "Estudos anteriores mostram que o otimismo está ligado a uma resposta imunológica mais saudável, maior disponibilidade de recursos psicossociais, como redes sociais amplas, e níveis reduzidos de estresse."

Além disso, uma atitude positiva também foi associada a níveis mais elevados de atividade física entre idosos.

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