Vida e Saúde

Vacina contra HPV reduz risco de câncer em homens, aponta estudo

Pesquisadores recomendam a aplicação da vacina nonavalente tanto em mulheres quanto em homens

Agência O Globo - 11/04/2026
Vacina contra HPV reduz risco de câncer em homens, aponta estudo
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Meninos que recebem a vacina contra o HPV podem reduzir em quase metade o risco de desenvolver cânceres relacionados ao vírus, sugere um estudo publicado na revista científica JAMA Oncology. Pesquisadores descobriram que homens imunizados com a versão mais recente da vacina, que protege contra nove subtipos do HPV, apresentaram probabilidade significativamente menor de desenvolver tumores associados ao vírus, incluindo câncer de cabeça, pescoço e pênis.

O que é o HPV?

O papilomavírus humano (HPV) é um vírus extremamente comum, transmitido pelo contato pele a pele. Embora muitas vezes inofensivo, pode causar doenças graves e é conhecido por provocar diversos tipos de câncer, incluindo os que afetam cabeça, pescoço, ânus e pênis, além do câncer do colo do útero em mulheres.

Até o momento, a maior parte das evidências sobre a prevenção do câncer pela vacina se concentrava em mulheres, especialmente no câncer do colo do útero. Em relação aos homens, a maioria das pesquisas anteriores analisava a redução das taxas de infecção, e não a prevenção do câncer propriamente dita.

Estudo robusto com mais de três milhões de jovens

O novo estudo analisou registros de saúde de mais de três milhões de jovens, comparando diretamente homens vacinados e não vacinados. Os resultados oferecem algumas das evidências mais claras até agora de que a vacina pode proteger homens contra cânceres relacionados ao HPV.

Entre homens de 9 a 26 anos, aqueles que receberam a vacina HPV nonavalente apresentaram menor risco de desenvolver cânceres de cabeça e pescoço, pênis, esôfago e ânus, em comparação com os não vacinados.

No geral, a redução do risco de cânceres relacionados ao HPV foi de 46%. O efeito protetor foi observado tanto em adolescentes quanto em adultos jovens.

Em números absolutos, o risco caiu de cerca de 12,5 casos por 100 mil em homens não vacinados para 7,8 por 100 mil entre os imunizados. Os pesquisadores alertam que os casos de câncer em homens jovens ainda são relativamente raros e que nem todos os cânceres estudados têm o HPV como causa.

Os especialistas ressaltam que um acompanhamento mais longo será necessário para avaliar o impacto da vacina ao longo das décadas. Ainda assim, concluíram que a vacina contra o HPV não é exclusiva para meninas e pode desempenhar papel fundamental na prevenção de câncer em homens.

Vacinação no Brasil

No Brasil, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) oferece para meninos e meninas de 9 a 14 anos a vacina quadrivalente contra o HPV, que protege contra quatro subtipos do vírus (6, 11, 16 e 18), responsáveis pela maioria dos casos de câncer de colo do útero, pênis, ânus e verrugas genitais. A vacina nonavalente, analisada no estudo e que protege contra nove subtipos (6, 11, 16, 18, 31, 33, 45, 52 e 58), está disponível apenas na rede privada, com custo aproximado de R$ 900 por dose.

O HPV é a infecção sexualmente transmissível (IST) mais comum. Embora muitas pessoas contraiam o vírus, a maioria elimina a infecção naturalmente. No entanto, uma pequena parcela desenvolve infecções persistentes que podem evoluir para câncer ao longo do tempo.