Vida e Saúde

Artemis II: os efeitos do espaço no corpo humano vão além da missão

Missão histórica da Nasa chegou ao fim nesta sexta-feira, com pouso após dez dias no espaço

Agência O Globo - 11/04/2026
Artemis II: os efeitos do espaço no corpo humano vão além da missão
O foguete Artemis II da NASA, com destino à Lua, decola da plataforma de lançamento 39-B do Centro Espacial Kennedy na quarta-feira, 1º de abril de 2026, em Cabo Canaveral, Flórida - Foto: Foto AP/John Raoux

Com o pouso concluído na noite desta sexta-feira, a missão Artemis II encerra sua fase mais delicada — e não apenas do ponto de vista técnico. O retorno à Terra marca também o início de um processo crítico para a saúde dos astronautas: a readaptação do corpo humano à gravidade, após dias exposto a um ambiente que altera músculos, ossos, cérebro e até o DNA.

Impactos na saúde

Assim como a gravidade molda o funcionamento do corpo humano, a ausência dela provoca mudanças profundas. No ambiente de microgravidade, músculos e ossos deixam de ser exigidos como na Terra, enfraquecendo rapidamente.

A massa muscular, especialmente em regiões responsáveis pela postura — como costas, pescoço, panturrilhas e quadríceps — é uma das mais afetadas. Em poucas semanas, astronautas podem perder até 20% dessa massa, percentual que pode chegar a 30% em missões mais longas. Para reduzir esse impacto, a rotina no espaço inclui cerca de duas horas diárias de exercícios físicos.

Os ossos também sofrem. Sem a pressão constante da gravidade, a densidade óssea diminui gradualmente. Em missões de seis meses, a perda pode chegar a 10%, elevando o risco de fraturas e tornando a recuperação mais lenta — em alguns casos, levando anos.

Os efeitos não param por aí. Pesquisas com o astronauta Scott Kelly indicaram alterações cognitivas após o retorno à Terra, como redução na velocidade e na precisão de respostas. Mudanças na conectividade neural, especialmente em áreas ligadas ao equilíbrio e à orientação, também foram observadas.

No nível celular, os impactos também chamam atenção: os telômeros, estruturas que protegem o DNA, tendem a se alongar no espaço e a encurtar rapidamente após o retorno — um comportamento considerado incomum em relação ao envelhecimento natural.

Além disso, há sintomas mais imediatos, como alterações na pele, maior sensibilidade, erupções cutâneas e queda nos glóbulos brancos, associada à exposição à radiação. A visão também pode ser afetada, já que a redistribuição de fluidos no corpo — com maior concentração na cabeça — pode provocar mudanças na estrutura ocular, em alguns casos permanentes.

A recuperação dos astronautas após a volta à Terra varia principalmente conforme o tempo passado no espaço. Em missões mais curtas, de poucos dias em órbita baixa, a maior parte dos efeitos no organismo, cerca de 95%, tende a ser revertida após o retorno.