Vida e Saúde
Mounjaro e Ozempic: estudo aponta risco de deficiência de proteína em usuários
Pesquisa analisou hábitos alimentares de adultos com sobrepeso em condições reais de vida
O uso de medicamentos injetáveis para emagrecimento, como Ozempic e Mounjaro, tem sido associado a deficiências nutricionais, conforme revela um novo estudo apresentado no Congresso Europeu sobre Obesidade, realizado este ano na Turquia.
Pesquisadores monitoraram, com auxílio de inteligência artificial, a alimentação de 332 adultos com sobrepeso ou obesidade, que mantiveram seus hábitos cotidianos entre julho de 2025 e fevereiro de 2026.
O estudo comparou a ingestão calórica total, o consumo de macronutrientes, a adequação da proteína ajustada ao peso, os padrões de refeição e a perda de peso entre 116 pessoas que utilizaram os medicamentos e 216 que não usaram essas substâncias.
As canetas emagrecedoras, como a semaglutida (presente no Ozempic) e a tirzepatida (do Mounjaro), imitam hormônios naturais do corpo, como GLP-1 e GLP-1/GIP, que aumentam a sensação de saciedade após as refeições.
Entre os 116 usuários de agonistas do receptor de GLP-1 (GLP-1 RA) acompanhados, 87 registraram pelo menos uma aplicação no aplicativo utilizado para o estudo. Destes, 62 obtiveram tirzepatida e 25, semaglutida. Os 29 restantes foram identificados como usuários do GLP-1 por seus perfis, mas não relatando aplicações individuais.
Os participantes que utilizaram as canetas consumiram energia diariamente significativamente menor em relação aos não usuários (média de 1.102 contra 1.281 kcal/dia), além de menor consumo de macronutrientes, incluindo proteínas (53,8 vs. 62,0 g/dia), carboidratos (128 vs. 143 g/dia) e gorduras (39,7 vs. 45,7 g/dia).
Risco nutricional
Segundo os pesquisadores, a ingestão insuficiente de proteína é motivo de atenção em qualquer estratégia para perda de peso, mas o risco é ainda maior entre usuários de agonistas do receptor de GLP-1.
"A saúde muscular depende da ingestão adequada de proteínas e da prática regular de exercícios físicos, principalmente de resistência. Para quem faz uso desses medicamentos, a redução do apetite pode dificultar o consumo necessário de proteínas, tornando a alimentação ainda mais relevante, especialmente porque a necessidade proteica tende a ser maior em pessoas com obesidade e durante o emagrecimento ativo", explica Valentina Vinelli, pesquisadora participante do estudo.
O levantamento também prevê que os usuários desses medicamentos tenham maior propensão a pular refeições: 31% dos dias sem café da manhã (contra 16% entre não usuários), 31% sem almoço (18%) e 40% sem jantar (30%), o que compromete a distribuição adequada de proteínas ao longo do dia.
Os autores destacam que o estudo não controlou diretamente a adesão ao uso da medicação, pois o registro foi feito de forma autorrelatada no aplicativo, o que pode indicar que alguns participantes acompanharam o uso sem registrar todas as doses.
"O uso de agonistas do receptor de GLP-1 em adultos com sobrepeso ou obesidade está associado à inadequação proteica generalizada e ao aumento do hábito de refeições básicas. Isso ressalta a necessidade de monitoramento nutricional ativo e orientação dietética personalizada, que devem ser integrados ao tratamento da obesidade para garantir a saúde a longo prazo, além da perda de peso. As necessidades proteicas devem ser individualizadas, calculadas em gramas por quilo de peso corporal ajustado, e não classificadas como meta única para", conclui Vinelli.
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