Vida e Saúde

Perdoar faz bem para a saúde mental, aponta novo estudo de Harvard

Pesquisa publicada na npj Mental Health Research revela benefícios psicológicos do perdão

Agência O Globo - 10/04/2026
Perdoar faz bem para a saúde mental, aponta novo estudo de Harvard
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A atitude de perdoar, que envolve liberar raiva e ressentimento em relação às atitudes de outras pessoas, pode trazer efeitos positivos a longo prazo para a saúde mental. De acordo com pesquisadores de Harvard, o perdão é associado ao bem-estar psicológico, além de promover mudanças pró-sociais e de caráter ao longo de um ano.

Somos seres sociais e dependemos de relações para viver bem. Se os relacionamentos são parte essencial da experiência humana, é surpreendente que superemos mágoas, pois ninguém é perfeito , afirma Richard Cowden, pesquisador do Programa de Florescimento Humano do Instituto de Ciências Sociais Quantitativas de Harvard e principal autor do estudo.

A pesquisa, publicada na revista científica npj Mental Health Research , analisou mais de 200 mil questionários anuais, provenientes de 23 países, sobre práticas de perdão e 56 indicadores de bem-estar avaliados um ano depois.

Por meio dos questionários, a equipe avaliou o perdão como prática e característica pessoal, e não apenas como um ato isolado, questionando: "Com que frequência você perdoou aqueles que te magoaram?"

"Encontramos evidências de efeitos psicológicos, como aumento da felicidade e redução de problemas de saúde mental, incluindo depressão. Também identificamos, em alguns casos, associações mais fortes com o desenvolvimento do caráter e comportamentos pró-sociais, como gratidão e disposição para promover o bem. Achei interessante perceber que o perdão pode ser um caminho para fortalecer o caráter e outros aspectos da vida voluntária das pessoas", destaca Cowden.

Segundo o pesquisador, o estudo foi dividido em duas fases: a primeira localizada valores de referência para os países participantes e incluiu perguntas sobre a infância para identificar fatores que predispõem ao perdão. A segunda fase, realizada um ano depois, permitiu que os pesquisadores analisassem os efeitos do perdão ao longo do tempo.

Além dos resultados individuais, uma pesquisa constatou que altos níveis de perdão podem ser um atributo nacional ou cultural em alguns países, como a África do Sul. Já países como Japão e Turquia apresentaram índices mais baixos.

Por outro lado, Cowden ressalta que, apesar dos elevados índices de perdão nacional na África do Sul, as associações com o bem-estar um ano depois foram um pouco mais fracas, possivelmente devido aos altos índices de pobreza e criminalidade. Os pesquisadores destacam a importância de considerar a cultura de cada país na análise dos resultados.

"Em alguns países, encontramos evidências mais consistentes de associações entre perdão e bem-estar do que em outros. Parte do valor do estudo está em considerar o contexto cultural", afirma Cowden.

Atualmente, a equipe está analisando uma quarta rodada de dados e planejando uma quinta análise, que será publicada em novos trabalhos.