Vida e Saúde

Instituto Butantan firma parceria internacional para desenvolver terapia inovadora contra câncer

Acordo com a IASO Bio visa ampliar acesso à terapia no Brasil; tecnologia é voltada para pacientes que não responderam a tratamentos convencionais

Agência O Globo - 10/04/2026
Instituto Butantan firma parceria internacional para desenvolver terapia inovadora contra câncer
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O Instituto Butantan assinou um acordo de licenciamento de tecnologia com a biofarmacêutica chinesa IASO Bio para o desenvolvimento local de uma terapia celular CAR-T externa para doenças hematológicas, como cânceres de sangue. O tratamento utiliza células do sistema imunológico do próprio paciente para combater a doença.

A parceria prevê que as células sejam desenvolvidas e produzidas no Núcleo de Terapias Avançadas de São Paulo (Nutera-SP), instalação coordenada pelo Butantan e equipada para terapias celulares. Atualmente, a unidade já desenvolve outra terapia CAR-T, em parceria com o Hemocentro de Ribeirão Preto, destinada ao tratamento de outras doenças hematológicas.

O desenvolvimento local de novo tratamento por uma instituição pública permite reduzir custos, favorecendo a possível incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS). Esse tipo de terapia pode custar cerca de US$ 500 mil (R$ 2,6 milhões) por paciente. Atualmente, no Brasil, a terapia está disponível apenas na rede privada.

"Esse tratamento revolucionou o combate às doenças do sangue, mas seu acesso ainda é um desafio. Uma nova parceria permite que o Instituto Butantan, uma instituição pública, amplie seu portfólio para atender às necessidades da saúde pública brasileira, expandindo o acesso a tecnologias de ponta", afirma Esper Kallás, diretor do Instituto Butantan.

Para Vanderson Rocha, coordenador do Nutera-SP e professor titular de Hematologia da Faculdade de Medicina da USP, o desenvolvimento local da CAR-T por uma instituição pública representa um marco para a ciência nacional. “No futuro, a terapia poderá ampliar as possibilidades de tratamento para pacientes do SUS que já não respondem às terapias convencionais”, destaca.

A IASO Bio é uma biofarmacêutica especializada no desenvolvimento de terapias celulares e produtos biológicos para malignidades hematológicas e doenças autoimunes, com plataformas que abrangem todo o ciclo de vida do produto – da descoberta e desenvolvimento à fabricação e comercialização.

“Esta parceria com o Butantan é um marco fundamental na estratégia global da IASO Bio para levar nossas terapias celulares inovadoras aos pacientes na América Latina”, afirma Jinhua Zhang, fundador e CEO da IASO Bio. “Ao combinarmos nossa tecnologia proprietária de terapia celular com as próprias capacidades de desenvolvimento e produção do Instituto Butantan, temos uma oportunidade única de reduzir significativamente os custos e tornar este tratamento acessível a muito mais pacientes no Brasil por meio do sistema público de saúde.”

Terapia CAR-T contra linfoma e leucemia

A tecnologia CAR-T surgiu nos Estados Unidos em 2010, após mais de 60 anos de pesquisas, e consiste em modificar geneticamente as células de defesa do paciente para combater o câncer. Por meio da coleta de sangue, os linfócitos T são isolados e modificados, tornando-se CAR-T. Em seguida, são reinseridos no organismo para atacar diretamente as células tumorais, sem afetar as células saudáveis.

O Instituto Butantan trabalha com a tecnologia CAR-T desde 2022, quando firmou parceria com a Faculdade de Medicina da USP, a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP-USP) e o Hemocentro de Ribeirão Preto para inaugurar dois núcleos de terapia celular, em São Paulo e Ribeirão Preto. O acordo visa produzir um tratamento específico para leucemia linfoide aguda de células B e linfoma não-Hodgkin de células B.

Desenvolvida no Centro de Terapia Celular da FMRP-USP, a terapia começou a ser testada no Brasil em 2019, em pacientes que não responderam a tratamentos convencionais, e apresentou 80% de eficácia na redução de tumores. Em 2024, o produto entrou na etapa de ensaio clínico fase 1/2.