Vida e Saúde
Picadas de escorpião saltam 163% em 10 anos no Brasil; saiba o que fazer
Em 2025, foram identificados 239,7 mil ocorrências do tipo, cerca de 60% do total de acidentes com animais peçonhentos no país
O número de acidentes com escorpiões saltou 162,7% no Brasil nos últimos 10 anos, segundo levantamento do GLOBO com base nos dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde. Em 2025, foram identificadas 239.673 ocorrências do tipo, enquanto, em 2016, foram 91.226 registros.
Os escorpiões responderam pela maior parte, cerca de 60,5%, de todos os acidentes com animais peçonhentos no país, que englobam ainda serpentes, aranhas, lagartas e abelhas. Além disso, a alta nas picadas de escorpião durante a última década foi superior à observada entre os peçonhentos de um modo geral, que subiram 126,9%.
O estado com mais picadas de escorpião em 2025 foi São Paulo, com 52.387 registros (21,8% do total), seguido por Minas Gerais, com 44.666 (18,6%), e Bahia, com 26.867 (11,2%). Na outra ponta, Roraima teve o menor número de registros, apenas 285 (0,1%), seguido pelo Acre, com 306 (0,1%), e por Rondônia, com 394 (0,2%).
Em relação à faixa etária, a maior parte das vítimas tinha 20 a 39 anos (28,8%) e 40 a 59 anos (28%). Outros 23,9%, porém, tinham menos de 20 anos, e 1% dos casos chegaram a ser registrados em bebês com menos de um ano de idade. Mais da metade das vítimas (54,7%) foi parda e não houve grandes diferenças entre homens e mulheres.
Os números do Sinan mostram ainda que, na maior parte das ocorrências (62,8%), o tempo entre a picada e o atendimento foi de até no máximo uma hora e, em 20,2%, foi de apenas uma a três horas após o acidente. Em 1,4% dos casos, no entanto, a espera foi superior a 24 horas. Ainda assim, do total, 88,7% foram classificados como leves, e apenas 0,1% das vítimas morreram por conta da picada.
Segundo informações da massa da saúde, os acidentes são mais comuns nos meses em que ocorre aumento de temperatura e umidade. Os sintomas envolvem manifestações locais, como dor imediata na área da picada, que podem irradiar para o membro e ser acompanhados de queimadura, formigamento, ocorrência e sudorese.
Após minutos ou poucas horas do acidente, podem surgir manifestações sistêmicas, com sinais como sudorese profusa, transtorno psicomotora, tremores, náuseas, vômitos, hipersalivação, hipertensão ou hipotensão arterial, arritmia cardíaca, insuficiência cardíaca congestiva, edema pulmonar agudo e choque.
O que fazer se for picado por um escorpião?
Em caso de acidente, a pessoa deve manter a calma, limpar o local da picada com água e sabão e procurar o atendimento médico de referência da região o mais rápido possível. O uso de compressa de água morna ajuda no rompimento da dor.
Segundo o Ministério da Saúde, gelo ou compressa de água gelada não devem ser usados em casos de picada porque, dependendo da espécie, podem acentuar a sensação de dor. Por isso, a preferência deve ser sempre por compressa de água morna.
O tratamento pode envolver o soro antiescorpiônico, de preferência, ou, na falta dele, o soro antiaracnídico. Eles devem ser administrados em ambiente hospitalar e sob supervisão médica. Ambos são produzidos pelo Instituto Butantan, em São Paulo, e estão disponíveis nos serviços de referência do SUS.
Em caso de emergência, o Ministério da Saúde recomenda ainda contatar imediatamente o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU 192) ou o Corpo de Bombeiros (193).
Veja a lista de serviços de referência para acidentes com animais peçonhentos por estado aqui
Quais espécies de escorpião existem no Brasil?
De acordo com informações do Ministério da Saúde, as espécies de escorpião de importância em saúde pública no Brasil são do gênero Tityus. São elas:
Escorpião-amarelo (T. serrulatus) - com ampla distribuição em todas as macrorregiões do país, representa a espécie de maior preocupação em função do maior potencial de gravidade do envenenamento e pela expansão em sua distribuição geográfica no país, facilitada por sua reprodução partenogenética e fácil adaptação ao meio urbano.
Escorpião-marrom (T. bahiensis) - encontrado nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil.
Escorpião-amarelo-do-nordeste (T. stigmurus) – Também apresenta reprodução do tipo partenogenética. É a espécie mais comum no Nordeste, apresentando alguns registros nos estados de Tocantins, Minas Gerais, São Paulo, Paraná e Santa Catarina.
Escorpião-preto-da-amazônia (T. obscurus) – Principal causador de acidentes e óbitos na região Norte e no Estado de Mato Grosso.
Outras espécies também causam envenenamento, mas com menor frequência e normalmente com menos gravidade. O principal sintoma de uma picada costuma ser uma dor imediata no local.
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