Vida e Saúde

Ozempic apresenta novo efeito colateral surpreendente, revela amplo estudo

Um estudo em larga escala sugere que medicamentos análogos do GLP-1 podem trazer benefícios inesperados para a saúde mental

Agência O Globo - 08/04/2026
Ozempic apresenta novo efeito colateral surpreendente, revela amplo estudo
- Foto: Getty Images/imyskin

Medicamentos análogos do GLP-1, como a semaglutida (princípio ativo do Ozempic e Wegovy) e a tirzepatida (princípio ativo do Mounjaro), amplamente utilizados para perda de peso e tratamento do diabetes, também podem oferecer benefícios inesperados para a saúde mental. A conclusão é de um novo estudo publicado na revista científica The Lancet Psychiatry .

Uma pesquisa, conduzida por especialistas da Universidade da Finlândia Oriental, do Instituto Karolinska em Estocolmo e da Universidade Griffith, na Austrália, analisou quase 100 mil indivíduos a partir de registros nacionais suecos entre 2009 e 2022, incluindo mais de 20 mil usuários desses medicamentos.

Os resultados indicaram que o uso de análogos do GLP-1, especialmente a semaglutida, esteve associado à redução de hospitalizações e afastamentos do trabalho por questões psiquiátricas. Durante os períodos em que os participantes fizeram uso da semaglutida, os riscos foram 42% menores em comparação aos períodos sem tratamento. O risco de depressão caiu 44% e os transtornos de ansiedade diminuíram 38%.

Além disso, o uso de semaglutida também esteve relacionado a um menor risco de transtornos por uso de substâncias, com internações hospitalares e afastamentos do trabalho 47% menores durante o tratamento. Os agonistas do receptor GLP-1 também estavam associados a um risco reduzido de comportamento suicida.

"Um estudo anterior, que analisou registros suecos, descobriu que o uso de medicamentos GLP-1 estava associado a um risco reduzido de transtorno por uso de álcool. Problemas relacionados ao álcool têm frequentemente efeitos subsequentes no humor e na ansiedade, então esperávamos que o efeito fosse positivo também nesses aspectos", afirma o professor Mark Taylor, da Universidade Griffith, em comunicado.

Ainda assim, a força da associação surpreendeu os pesquisadores.

"Como este é um estudo baseado em registros, não podemos determinar exatamente por que ou como esses medicamentos afetaram os sintomas de humor, mas a associação foi bastante forte. É possível que, além de fatores como a redução do consumo de álcool, melhorias na imagem corporal relacionadas à perda de peso ou estresse associado a um melhor controle glicêmico no diabetes, também possam existir mecanismos neurobiológicos diretamente envolvidos, por exemplo, por meio de alterações no funcionamento do sistema de recompensa do cérebro", explica o diretor de Pesquisa, docente Markku Lähteenvuo, da Universidade da Finlândia Oriental.