Vida e Saúde

Vacina contra gripe reduz risco de morte e internações em pacientes pós-AVC, aponta estudo

Pesquisa do Einstein mostra que aplicação de dose dupla da vacina contra Influenza durante a internação diminui em até 20% o risco de novos problemas cardiovasculares ou cardiorrespiratórios.

Agência O Globo - 08/04/2026
Vacina contra gripe reduz risco de morte e internações em pacientes pós-AVC, aponta estudo
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Uma estratégia de vacinação contra a gripe, com duas doses aplicadas ainda durante a internação hospitalar em pacientes que sofreram Acidente Vascular Cerebral (AVC), pode reduzir em até 20% o risco de morte e novas hospitalizações por complicações cardiovasculares ou cardiorrespiratórias.

O resultado faz parte de um novo estudo conduzido pelo Hospital Israelita Albert Einstein, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS). A iniciativa, em parceria com o Ministério da Saúde e hospitais filantrópicos de referência, visa desenvolver capacitação, gestão, pesquisas e projetos de assistência no SUS.

Publicado na revista científica International Journal of Stroke , o estudo destacou o impacto de uma medida simples para proteger pacientes considerados de alto risco. Henrique Fonseca, líder do Núcleo de Estudos Clínicos em Imunologia e Vacinas da Academic Research Organization (ARO) do Einstein e autor sênior da publicação, ressalta:

— Este estudo reforça a importância de vacinar pacientes de alto risco, como aqueles com histórico de AVC, infarto, diabetes ou doença cardíaca preexistente. A vacina reduz os agravos do vírus Influenza, e observamos que esses pacientes se beneficiam ainda mais da imunização. Nosso estudo reforça essa recomendação.

De acordo com a Sociedade Brasileira de AVC, o derrame é a segunda doença que mais mata no Brasil e a principal causa de incapacidade no mundo. Aproximadamente 70% das pessoas não retornam ao trabalho após um AVC devido às sequelas, e metade delas passa a depender de terceiros para atividades cotidianas.

Uma gripe, causada pelo vírus Influenza, pode desencadear um processo inflamatório que favorece a formação de coágulos, elevando o risco de eventos cardiovasculares — especialmente em pacientes já acometidos por problemas cardíacos, como o AVC.

No estudo brasileiro, 1.801 voluntários foram acompanhados entre 2019 e 2022, nas regiões Sudeste, Sul, Nordeste e Centro-Oeste. Os participantes foram internados devido à síndrome coronariana aguda, condição em que há redução do fluxo sanguíneo para o coração, podendo resultar em infarto. O objetivo era avaliar a segurança e o protetor da vacinação contra a gripe ainda durante a hospitalização.

A estratégia se mostrou segura. Entre os 67 pacientes com histórico de AVC, aqueles que receberam duas doses da vacina ainda no hospital tiveram menos mortes e novas hospitalizações em comparação aos que receberam apenas uma dose padrão cerca de 30 dias depois. Todos foram acompanhados por 12 meses após a vacinação. Já entre os pacientes sem histórico de AVC, não houve diferença significativa entre as estratégias.

Os achados brasileiros estão em consonância com outro estudo, publicado na revista Eurosurveillance , que acompanhou 1.221 adultos com 40 anos ou mais na Dinamarca. Pesquisadores europeus observaram que, após um teste positivo para gripe, o risco de internação aumentou três vezes para derrame e cinco vezes para infarto na semana seguinte. Entre os vacinados, esse aumento foi reduzido pela metade, mesmo com infecção pelo vírus Influenza.

Segundo Fonseca, são necessários mais estudos para confirmar e detalhar esses benefícios, inclusive quanto ao uso de doses maiores da vacina:

— Já existem vacinas de alta dose, com até quatro vezes a dose padrão. Pesquisas recentes mostram que esse aumento potencializa o benefício, trazendo ainda mais as complicações. É preciso avaliar se as vacinas assim devem ser incorporadas para pacientes de alto risco, como idosos.