Vida e Saúde

Experiências na infância podem impactar saúde intestinal na vida adulta

Pesquisas revelam que estresse precoce está associado a dores, constipação e Síndrome do Intestino Irritável

Agência O Globo - 18/03/2026
Experiências na infância podem impactar saúde intestinal na vida adulta
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Um novo estudo da Universidade de Nova York, publicado na revista Gastroenterology , aponta que o estresse na infância pode alterar o desenvolvimento da conexão entre o intestino e o cérebro, levando a problemas digestivos persistentes ao longo da vida.

Eventos traumáticos, como negligência física ou emocional, tanto durante a infância quanto até a própria gestação, afetam o desenvolvimento cerebral. Essas experiências já são conhecidas por aumentar o risco de ansiedade e depressão, mas agora os pesquisadores investigam também o impacto sobre a saúde intestinal.

Em experimentos com ratos, a separação precoce das mães detectadas, meses depois, em sinais de dor e distúrbios no trânsito intestinal dos animais.

Outra pesquisa acompanhou 40 mil crianças dinamarquesas do nascimento até os 15 anos. Metade delas cresceu com mães que sofriam de depressão não tratada e apresentaram maior incidência de sintomas digestivos, como vômitos, náuseas, constipação e síndrome do intestino irritável. Mesmo entre filhos de mães medicadas, houve aumento nos casos de constipação.

Um terceiro estudo, com 12 mil crianças americanas, mostrou que qualquer forma de estresse durante a infância elevava o risco de problemas gastrointestinais entre os 9 e 10 anos de idade.

Em entrevista ao ScienceDaily , Kara Margolis, diretora do Centro de Pesquisa da Dor da Universidade de Nova York, destacou que os achados podem tornar o tratamento dos distúrbios intestinais mais eficazes: "Quando os pacientes chegam com queixas intestinais, não devemos perguntar apenas sobre o estresse atual; entender o que ocorreu em sua infância é fundamental e precisa ser considerado", afirmou.

"Esse histórico de desenvolvimento pode, em última análise, nos ajudar a compreender como certos distúrbios da interação intestino-cérebro surgem e como tratá-los de forma mais adequada", completou Margolis.