Vida e Saúde

Bactéria resistente a medicamentos avança fora de hospitais em SP, revela estudo

Trabalho foi publicado na revista científica Research Connections, parte da Oxford University Press

Agência O Globo - 18/03/2026
Bactéria resistente a medicamentos avança fora de hospitais em SP, revela estudo

Uma bactéria que tradicionalmente preocupa ambientes hospitalares em todo o mundo também está se tornando uma ameaça crescente nesses locais. Um estudo conduzido ao longo de 10 anos analisou a disseminação de Staphylococcus aureus , bactéria que desenvolveu resistência a antibióticos, por diversas regiões do estado de São Paulo.

De acordo com os pesquisadores, a alta capacidade de resistência do Staphylococcus aureus representa um desafio significativo. Isso porque o microrganismo consegue sobreviver a tratamentos com medicamentos como oxacilina e meticilina, normalmente eficazes contra diferentes tipos de bactérias. Quando essa resistência é confirmada, a bactéria passa a ser chamada de MRSA (Staphylococcus aureus resistente à meticilina), tornando-se potencialmente letal.

As infecções estão entre os quadros comuns mais provocados pelo MRSA. No entanto, há risco de propagação pela corrente sanguínea, podendo causar infecções graves no sangue e no coração, além de quadros de pneumonia com necrose do tecido pulmonar.

A pesquisa avaliou mais de 51 mil exames laboratoriais e convenções uma tendência de crescimento médio anual de 3,61% nas infecções comunitárias por MRSA. Por outro lado, os casos registrados em hospitais do estado apresentaram queda média de 2,48% ao ano.

Outro dado preocupante é que, entre as infecções causadas por bactérias, 43% correspondem a MRSA, com maior incidência em populações vulneráveis, como crianças e idosos.

A análise também alerta para o risco epidemiológico: entre os exames positivos realizados fora de hospitais, 22% já apresentaram resistência. Em relação à localização, os principais focos de infecção foram identificados na área central da cidade de São Paulo e em municípios do litoral paulista.

O estudo, publicado na revista científica Research Connections , da Oxford University Press, atualmente dados de 639 unidades de saúde, incluindo hospitais, laboratórios, unidades de atenção primária e serviços de emergência.

Segundo os autores, alternativas como a criação de modelos de vigilância mais inteligentes, integração de dados laboratoriais, investimento na atenção primária e sistemas sentinela, aliadas a políticas públicas para conscientização sobre o uso correto de antibióticos e descarte adequado de medicamentos, podem contribuir para o controle da disseminação de MRSA.