Vida e Saúde
Como o acesso contínuo à pornografia online está afetando as gerações mais jovens?
Entrou em vigor, nesta terça-feira, 17, o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente, ou ECA Digital, como ficou conhecido
Entrou em vigor, nesta terça-feira, 17, o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente, conhecido como ECA Digital. A nova legislação visa fortalecer a proteção de crianças e adolescentes no ambiente virtual, regulamentando o acesso a redes sociais, sites de apostas, determinados jogos e, principalmente, a conteúdos adultos.
Pornografia e juventude: impactos crescentes
Por muitos anos, o acesso à pornografia no Brasil ocorreu sem qualquer restrição efetiva. Nesse cenário, milhares de jovens, tanto meninos quanto meninas, tiveram contato com vídeos explícitos. Além disso, em redes sociais, é comum encontrar rapidamente conteúdos sugestivos, conhecidos como soft porn.
Nos Estados Unidos, um relatório da Common Sense Media, ONG dedicada à segurança digital de crianças, divulgado em 2022, apontou que 15% dos jovens americanos tiveram o primeiro contato com pornografia online antes dos 10 anos de idade.
Desses jovens, 58% afirmaram ter encontrado pornografia de forma não intencional. Entre 652 meninos entrevistados, 75% já haviam consumido vídeos adultos; entre as 625 meninas, 70% relataram o mesmo.
Pornografia, cérebro e corpo
Segundo Anthony Preischel, terapeuta sexual de Nova York, em entrevista ao USAToday, a pornografia, associada à masturbação, ativa os mesmos circuitos cerebrais que o consumo de drogas. O cérebro libera dopamina, neurotransmissor responsável pela sensação de prazer, criando um ciclo de hábito.
Com o tempo, esse ciclo pode alterar a forma como o cérebro regula prazer, motivação e impulsos, algo que, segundo pesquisadores da Universidade Texas Tech, pode estar relacionado ao aumento dos índices de depressão entre jovens.
Um estudo publicado em 2016 no periódico Behavioral Sciences identificou aumento nos casos de disfunção erétil entre jovens, sugerindo uma possível correlação entre esse fenômeno e o crescimento do consumo de pornografia online.
Relações e expectativas distorcidas
Brad Salzman, terapeuta especializado em vício sexual, também ouvido pelo USAToday, ressalta que o consumo de pornografia na juventude pode ter efeitos duradouros na percepção dos relacionamentos.
“Nem sempre sua namorada ou mulher vai querer fazer o que você quer, quando você quer. Enquanto isso, na pornografia, tudo está disponível conforme o desejo do usuário”, explica Salzman.
Segundo a pesquisa da Common Sense, 45% dos jovens entrevistados consideram que a pornografia online fornece informações úteis sobre sexo: 79% disseram aprender sobre práticas sexuais e 73% sobre o que pode ser prazeroso para o parceiro.
No entanto, especialistas alertam que o sexo retratado em vídeos adultos está longe da realidade, o que pode gerar “ansiedade de performance”. Jovens que tentam reproduzir comportamentos vistos nas telas podem enfrentar dificuldades, como problemas de ereção.
Além disso, os corpos idealizados presentes na pornografia contribuem para a criação de expectativas irreais em relação aos parceiros, levando à frustração e a dificuldades de excitação tanto em homens quanto em mulheres.
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