Vida e Saúde

Implante de testosterona de Zé Felipe: entenda quais são os efeitos do 'chip' usado por homens

Especialista da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) explica como funciona a reposição hormonal mencionada pelo famoso

Agência O Globo - 16/03/2026
Implante de testosterona de Zé Felipe: entenda quais são os efeitos do 'chip' usado por homens
Zé Felipe - Foto: Reprodução / Instagram

O filho do cantor Leonardo, Zé Felipe, de 27 anos, apareceu em suas redes sociais recentemente que iniciou o tratamento de reposição hormonal após ser apresentado com baixa testosterona. De acordo com as informações compartilhadas, ele notou mudanças positivas depois do tratamento, que está sendo realizado com acompanhamento médico.

Canetas emagrecedoras:

Café da manhã:

“Esses dias fizeram uns exames aí, cortisol alto, testosterona baixa ou baixa”, afirmou o famoso.

Segundo o urologista Leonardo Seligra, membro do Departamento de Andrologia da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), o cortisol é o principal hormônio do estresse, e, quando permanece elevado por tempo prolongado, pode inibir o eixo hormonal que regula a produção de testosterona, além de poder interferir diretamente na função testicular.

— Isso não quer dizer que todo cortisol alto causa obrigatoriamente testosterona baixa, mas estresse específico, privação de sono, doença sistêmica e uso de corticoides estão entre situações que podem favorecer essa queda — explica.

O médico aponta que as causas mais comuns são estresse extremo, noites mal dormidas, excesso de treino físico sem recuperação adequada, doenças ligadas à saúde mental, obesidade, doenças agudas ou crônicas e uso de medicamentos à base de corticóides.

— Vale esclarecer que “chip de testosterona” é um termo popular. Na prática, geralmente se refere a implantes subcutâneos de testosterona. As diretrizes da SBU publicadas reforçam que a testosterona não deve ser usada de forma indiscriminada, nem como solução para envelhecimento, cansaço inespecífico ou ganho estético — afirma.

O implante contém hormônios libera testosterona de forma lenta e gradual, tendo duração de 6 meses a até 1 ano. Contudo, o urologista ressalta que o tratamento só deve ser considerado após confirmação laboratorial repetida por pelo menos duas vezes de testosterona baixa associada aos sintomas, e sempre com acompanhamento médico.

— No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária restringiu implantes hormonais manipulados à base de hormônios androgênicos para especificamente estéticas, ganho de massa muscular e melhoria de desempenho esportivo. Ou seja, o uso do chamado “chip” fora de indicação médica bem exigido merece bastante cautela — advertência.

efeitos adversos

Seligra alerta que esses são os principais efeitos adversos e colaterais dos "chips de testosterona" quando são manipulados e não possuem controle de dose:

Acne e pele oleosa;

Aumento do hematócrito;

Redução da produção de espermatozóides com piora da fertilidade;

Retenção hídrica

Piora ou descompensação de apneia do sono em alguns casos;

Aumento da pressão arterial e eventos locais do implante, como dor, inflamação ou extrusão; e

Também é necessário monitorar o estresse, o sangue e os níveis hormonais durante o tratamento.

Alerta das sociedades médicas

Em 2023, a Sociedade Brasileira de Urologia, em conjunto com a Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte, Sociedade Brasileira de Diabetes e Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, fez um pedido público à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) por providências quanto ao uso incluído de "chips da beleza" no país.

Dentre os implantes hormonais mais utilizados de maneira indevida, dentro do grupo dos "chips de beleza" manipulados, está o "chip de testosterona", que promete mais tônus ​​muscular e maior libido.

"Não existe dose, tampouco acompanhamento médico que garanta segurança para o uso de hormônios para fins estéticos ou de desempenho. Os efeitos colaterais podem ser imprevisíveis e graves, com os riscos ultrapassando qualquer benefício possível. Casos de infarto agudo do miocárdio, de tromboembolismo e de acidente vascular cerebral vêm se tornando frequentes. Complicações ósseas, hepáticas, renais, musculares e lesões estão associadas ao uso dos implantes. Manifestações psicológicas e psiquiátricas, como ansiedade, agressividade, dependência, abstinência e depressão, são cada vez mais comuns", diz o documento.