Vida e Saúde

Márcia Sensitiva revela que tem uma doença autoimune: entenda a condição e porque as mulheres são mais propensas a ter o problema

Apesar de não ter uma cura definitiva, tratamentos podem ser feitos para controlar sintomas e melhorar a qualidade de vida

Agência O Globo - 26/02/2026
Márcia Sensitiva revela que tem uma doença autoimune: entenda a condição e porque as mulheres são mais propensas a ter o problema
Márcia Sensitiva revela que tem uma doença autoimune: entenda a condição e porque as mulheres são mais propensas a ter o problema - Foto: Reprodução / Instagram

A médium Márcia Sensitiva publicou uma “satisfação” do porquê andava sumida das redes sociais. No vídeo, feito de um hospital, ela afirma que precisou ser internada no sábado após procurar o pronto-socorro com fortes dores no corpo.

“Eu tive uma dor no corpo que não dava para aguentar. Descobriram que eu tenho uma doença autoimune. E as dores foram passando. Hoje, graças a Deus, estou bem melhor. Tinha que dar uma satisfação porque dei uma sumida, mas estou trabalhando normal aqui no hospital, imagina que eu vou ficar parada”, disse a médium de bom humor.

O que é doença autoimune?

Esse tipo de condição ocorre quando o sistema imunológico ataca por engano tecidos saudáveis do próprio corpo, causando inflamação e danos em diversos órgãos. Há diversas doenças autoimunes e estima-se que elas afetem cerca de 8% da população mundial.

Ainda não existe uma cura definitiva, porém tratamentos com medicamentos imunossupressores, anti-inflamatórios e mudanças no estilo de vida ajudam a controlar sintomas e melhorar a qualidade de vida.

Entre os exemplos mais comuns de doenças autoimunes estão: lúpus, diabetes tipo 1, doença celíaca, esclerose múltipla, psoríase e Doença de Crohn. Márcia Sensitiva, em seu vídeo, não revelou o nome da doença.

Sintomas

Os sintomas das doenças autoimunes variam de acordo com o tipo e se atingem apenas um órgão ou o organismo inteiro.

No entanto, alguns sintomas são mais frequentes. Entre eles, estão:

Cansaço;

Perda ou aumento de peso repentino;

Mal-estar;

Sensação de fraqueza;

Dores nas articulações;

Anemia;

Diarreias e desconfortos abdominais;

Manchas pelo corpo.

Diagnóstico

É necessário fazer exames de sangue, principalmente, os de anticorpos. Estes testes sanguíneos apontam se há ou não presença de autoimunidade no corpo. Segundo a rede DASA de diagnóstico, a positividade dos anticorpos não significa que o indivíduo é portador de uma condição autoimune.

O diagnóstico das doenças autoimunes é bastante complexo, já que os sintomas variam bastante. Alguns exames de imagem podem ser solicitados para descartar outras doenças. Em alguns casos, pacientes podem demorar anos até identificar a causa do problema.

Por que as mulheres têm mais doenças autoimunes?

Um estudo, publicado na revista Cell, sugere que um conjunto especial de moléculas que atuam no cromossoma X extra transportado pelas mulheres pode, por vezes, confundir o sistema imunitário.

Especialistas independentes dizem que é improvável que as moléculas sejam a única razão pela qual as doenças autoimunes distorcem as mulheres. Mas se os resultados se mantiverem em novas experiências, poderá ser possível basear novos tratamentos nestas moléculas, em vez de baseá-los nos medicamentos atuais que enfraquecem todo o sistema imunitário.

Os embriões masculinos e femininos carregam 22 pares idênticos de cromossomos. O 23º par é diferente: as mulheres carregam dois X, enquanto os homens carregam um X e um Y, que levam ao desenvolvimento dos órgãos sexuais masculinos.

Cada cromossomo contém genes que, quando “ligados”, produzem proteínas para trabalhar dentro das células. Você poderia esperar que as mulheres, com duas cópias de X, produzissem o dobro de proteínas X que os homens. Em vez disso, eles produzem aproximadamente o mesmo nível. Isso ocorre porque um dos dois cromossomos X está silenciado.

Uma molécula chamada Xist se apega ao segundo cromossomo X “como velcro”, explica Chang. À medida que centenas de moléculas Xist se enrolam em torno do cromossomo X, elas o desligam completamente.

Manter um X em silêncio é crucial para a saúde da mulher. Se um gene no segundo cromossoma X escapar do controle do Xist, isso resultará num fornecimento excessivo de proteínas, algumas das quais podem ser tóxicas.

O estudo surgiu de anos de pesquisa testando o palpite de que as moléculas Xist poderiam causar doenças autoimunes. O médico e seus colegas estudaram uma linhagem de camundongos em que as fêmeas apresentam alto risco de contrair a doença autoimune lúpus, enquanto os machos nunca desenvolvem casos graves.

Os pesquisadores modificaram geneticamente os ratos machos para que eles, assim como as fêmeas, produzissem Xist.

— Depois que os ratos machos expressam Xist, eles apresentam níveis muito piores de doenças imunológicas.

Os pesquisadores também descobriram que pessoas com lúpus ou duas outras doenças autoimunes tinham níveis elevados de anticorpos contra proteínas relacionadas ao Xist no sangue.

Chang suspeita que doenças autoimunes podem surgir durante o processo normal de morte de células no corpo de uma mulher. As células se abrem, despejando moléculas na corrente sanguínea. Nas mulheres, esses detritos incluem muitas moléculas Xist e as proteínas ligadas a elas.

Quando uma célula imunológica encontra uma molécula Xist, ela também se depara com um grande número de proteínas presas a ela. Esta experiência invulgar pode confundir as células imunitárias, que por engano começam a produzir anticorpos contra as proteínas Xist.

Assim que o sistema imunológico começar a tratar as proteínas Xist como inimigas, ele poderá começar a atacar também outras partes do corpo. Isso ocorre porque cada célula cola fragmentos de suas proteínas na superfície, onde as células imunológicas podem inspecioná-las. Se uma célula imunológica encontrar um fragmento da proteína Xist, propôs Chang, ela matará a célula que o apresenta.

Alguns estudos sugerem que o cromossomo X alimenta doenças autoimunes de outras maneiras. Por exemplo, carrega vários genes para proteínas que atuam como sinais entre as células do sistema imunológico. Se um desses genes escapar do silenciamento, poderá criar sinais extras que confundem o sistema imunológico.

O desafio que os cientistas enfrentam agora é descobrir como todos estes fatores funcionam coletivamente para produzir o preconceito feminino nas doenças imunitárias.