Vida e Saúde

Tragédias evitáveis: como prevenir o afogamento de crianças no verão

Afogamento é uma das principais causas de morte não intencional entre crianças pequenas, mas pode ser evitado com medidas simples e supervisão constante.

Agência O Globo - 09/01/2026
Tragédias evitáveis: como prevenir o afogamento de crianças no verão
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O afogamento permanece entre as principais causas de morte não intencional na primeira infância, especialmente em crianças de 1 a 4 anos. Apesar disso, trata-se de um risco que pode ser quase totalmente eliminado com cuidados básicos e supervisão adequada.

Alerta para o verão

As estatísticas dos últimos verões reforçam a necessidade de atenção. Cada morte por afogamento representa uma tragédia evitável e um alerta para a responsabilidade compartilhada dos adultos.

Supervisão ativa é indispensável

O fator de risco mais relevante é a ausência de vigilância direta. Crianças devem estar sempre sob observação atenta de um adulto, sem distrações e a uma distância que permita intervir imediatamente em caso de perigo.

O afogamento pode ocorrer em poucos segundos e de maneira silenciosa. Por isso, não basta estar por perto: é preciso observar de forma ativa.

Dispositivos de flutuação: apoio, não substituição

Coletes salva-vidas e outros dispositivos certificados podem ajudar, mas jamais substituem a supervisão de um adulto. Em alguns casos, esses equipamentos podem criar uma falsa sensação de segurança, levando ao relaxamento da vigilância.

Mesmo crianças que sabem nadar ou flutuar continuam em risco se não houver um adulto atento por perto.

Medidas de prevenção

A prevenção do afogamento depende de ações acessíveis e permanentes. O afogamento é prevenível, e cabe aos adultos garantir a segurança das crianças.

Confira recomendações essenciais:

- Vigie permanentemente as crianças próximas ou dentro da água, mesmo que saibam nadar.

- Prefira locais autorizados, sinalizados e com salva-vidas.

- Evite banhos em rios, lagoas ou áreas próximas a cachoeiras, onde podem existir correntes internas, algas ou outros riscos ocultos.

- Nunca permita que crianças entrem ou permaneçam sozinhas na água.

- Conheça previamente a profundidade e as características do fundo antes de mergulhar.

- Oriente as crianças a não correrem ao redor de piscinas para evitar escorregões e quedas.

- Em piscinas e hidromassagens, mantenha distância dos ralos, que podem causar lesões por sucção ou aprisionamento, especialmente do cabelo.

Riscos também dentro de casa

O perigo não se limita a praias ou piscinas. Crianças pequenas nunca devem ficar sozinhas em banheiras, tinas ou brincando com baldes de água. As que ainda não têm estabilidade podem se afogar em poucos centímetros ou cair em recipientes sem conseguir sair.

Preparação para emergências

Além da prevenção, é fundamental que os adultos saibam realizar manobras básicas de reanimação e compreendam a chamada cadeia de sobrevivência. Em caso de afogamento, uma resposta rápida e adequada pode salvar vidas e evitar sequelas graves.

Desfrutar do verão com segurança é possível. Adotar essas recomendações reduz riscos e protege as crianças. Outros cuidados, como respeito às normas de trânsito e proteção solar, também são essenciais.

Cuidar das crianças exige atenção, antecipação e compromisso. Um verão seguro depende da responsabilidade dos adultos.

*Artigo escrito pela pediatra Alicia Fernandez, especialista em cuidados intensivos de crianças, chefe do serviço de pediatria e do CTI da Associação Espanhola e docente universitária.