Vida e Saúde

Mesmo doses baixas do adoçante aspartame podem afetar a saúde, sugere estudo com camundongos

A pesquisa foi publicada na revista Biomedicine & Pharmacotherapy

Agência O Globo - 02/01/2026
Mesmo doses baixas do adoçante aspartame podem afetar a saúde, sugere estudo com camundongos
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Presente em alimentos chamados de "diet", ou sem açúcar, o foi classificado no ano passado como "potencialmente cancerígeno" pela Organização Mundial de Saúde (OMS). A orientação é de que é seguro consumir até 40 mg de aspartame por kg de peso corporal por dia. No entanto, em um novo estudo, cientistas descobriram que mesmo baixas doses de aspartame podem ter efeitos alarmantes para a saúde.

"O estudo demonstra que a exposição prolongada a adoçantes artificiais pode ter um impacto prejudicial no funcionamento dos órgãos, mesmo em doses baixas, o que sugere que as diretrizes de consumo atuais devem ser criticamente reexaminadas", escreveram os autores da pesquisa publicada na revista científica Biomedicine & Pharmacotherapy.

A equipe do Centro de Pesquisa Cooperativa em Biomateriais, na Espanha, alimentou os camundongos com uma dose do adoçante, consumida a cada quinze dias, que equivalia a cerca de um sexto da ingestão diária considerada segura para humanos, conforme estabelecido pela Organização Mundial da Saúde. Ou seja, apenas 6,6 mg.

Os pesquisadores observaram, ao longo de um ano, que pequenas quantidades de aspartame adicionadas à dieta de camundongos machos levaram a problemas no coração, como diminuição da eficiência de bombeamento e pequenas alterações estruturais e funcionais. Segundo o estudo, isso é associado a aumento do estresse cardíaco e pior desempenho do órgão.

Além disso, foi observada uma queda significativa na absorção de glicose nos ratos. Como consequência, isso poderia levar o cérebro a ser privado da energia necessária para o seu funcionamento adequado.

"É preocupante que o regime leve aplicado aqui, que está bem abaixo do máximo equivalente permitido para humanos, administrado apenas três dias a cada duas semanas, possa alterar a função cardíaca e cerebral, bem como a estrutura do coração", alertaram os autores.

Por outro lado, os cientistas também evidenciaram que os resultados desta pesquisa em específico se mostraram "relativamente leves" quando comparados com estudos anteriores realizados com ratos que consumiram aspartame diariamente ou por um período mais curto.

"Ou os intervalos sem aspartame atenuaram a magnitude das alterações comportamentais, ou os ratos adultos são mais tolerantes ao adoçante do que os animais mais jovens, ou então os ratos se adaptam à exposição prolongada ao aspartame. Até que as sequelas neurológicas do aspartame sejam melhor compreendidas, crianças e adolescentes provavelmente devem evitar o aspartame ao máximo, especialmente como componente regular da dieta", concluem.