Variedades
Livro aborda a dor da compulsão alimentar e os caminhos para a recuperação
A frase “segunda-feira eu começo” costuma aparecer depois de um fim de semana de excessos, mas pode revelar uma relação com a comida marcada por sofrimento e tentativas frustradas de mudança. Esse é o ponto de partida de Segunda-feira eu começo: a dor da compulsão alimentar e o caminho real para sair dela, primeiro livro da psicóloga Valeska Bassan Magaldi, publicado pela EV Publicações. Especialista em transtornos alimentares e obesidade, a autora reúne mais de quinze anos de experiência clínica, incluindo treze no Ambulim, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Voltada a pacientes, familiares e profissionais de saúde, a obra procura tornar o conhecimento especializado mais acessível. “A compulsão não é falta de vontade”, afirma Valeska.
Ao longo de quatro partes e 17 capítulos, a psicóloga aborda os mecanismos que sustentam os episódios, o papel das emoções e as consequências de transformar a alimentação em uma sequência de proibições e compensações. Também discute gordofobia, cirurgia bariátrica e medicamentos para obesidade, ressaltando que perder peso não significa, necessariamente, superar um transtorno alimentar.
A dimensão do problema aparece nos dados divulgados pelo Instituto Nacional de Diabetes e Doenças Digestivas e Renais dos Estados Unidos: naquele país, o transtorno de compulsão alimentar atinge aproximadamente 1,25% das mulheres e 0,42% dos homens adultos. Mais da metade das pessoas com o diagnóstico relata dificuldades no funcionamento social, com interferência nas atividades do cotidiano. Esses números se referem à população americana e não representam uma estimativa brasileira.
Os prejuízos vão além da quantidade ingerida. A perda de controle pode vir acompanhada de vergonha, culpa e isolamento, enquanto ansiedade e depressão podem coexistir com o quadro. Também há associação com problemas digestivos e do sono, além de ganho de peso e complicações metabólicas em parte dos pacientes. Nesse contexto, alimentar-se bem envolve construir hábitos regulares e adequados às necessidades individuais, com orientação especializada. Pular refeições e recorrer a restrições extremas para compensar episódios anteriores pode favorecer novas crises em algumas pessoas. O cuidado precisa considerar tanto a alimentação quanto a saúde emocional, com acompanhamento psicológico, nutricional e médico conforme a necessidade.
Para Valeska, o apoio familiar começa pela escuta e pelo acolhimento, evitando cobranças sobre o corpo e fiscalização do prato. A proposta do livro é ajudar o leitor a reconhecer o sofrimento e compreender que procurar atendimento é parte do cuidado. “Existe tratamento e existe possibilidade de recuperação”, destaca a autora. O lançamento de Segunda-feira eu começo: a dor da compulsão alimentar e o caminho real para sair dela acontecerá em 10 de novembro de 2026, às 19h, no Vila Hermosa Bistrô, na Rua Clodomiro Amazonas, 858, Vila Nova Conceição, em São Paulo.
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