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Gustavo Mioto coloca seus "Pensamentos Intrusivos" para fora em álbum que amplia as fronteiras do sertanejo

Em "Pensamentos Intrusivos", cantor amplia seu território musical, reúne Zezé Di Camargo e Mariana Fagundes e transforma referências que vão do sertanejo ao rock em um dos projetos mais autorais de sua carreira

Assessoria 17/09/2026
Gustavo Mioto coloca seus 'Pensamentos Intrusivos' para fora em álbum que amplia as fronteiras do sertanejo
Gustavo Mioto - Foto: Daiane Paula | @daianepaulafotografia

Depois de abrir as portas de “Pensamentos Intrusivos” com “Como É Que Fala de Amor?”, Gustavo Mioto apresenta agora a experiência completa de um dos trabalhos mais pessoais e inquietos de sua carreira. Construído ao longo de um ano e meio, o novo álbum nasce da vontade de experimentar, misturar referências e, principalmente, transformar em música pensamentos que normalmente permaneceriam apenas dentro de sua cabeça.

“Pensamentos Intrusivos” não foi feito para precisar de muitas explicações. As respostas estão nas próprias canções. Sentimentos, questionamentos, inseguranças, relações e ideias que atravessam a vida de Gustavo aparecem no projeto sem a obrigação de seguir uma única direção musical ou narrativa.

O sertanejo continua sendo a base, mas desta vez Gustavo abre espaço para referências que também ajudaram a formar sua identidade musical. Rock e outras sonoridades que sempre fizeram parte de seu repertório como ouvinte entram no álbum sem a preocupação de obedecer às fronteiras tradicionais do gênero.

Não se trata, porém, de romper com o que o trouxe até aqui. A provocação é outra: por que experimentar precisaria significar deixar de ser sertanejo? “Pensamentos Intrusivos” parte justamente da ideia de que é possível ampliar as possibilidades do gênero sem abandonar a essência que construiu a trajetória do artista.

A primeira amostra desse universo chegou com “Como É Que Fala de Amor?”, composição de Gustavo Mioto ao lado de Daniel Ferrera, Giana e Elana Dara. A faixa apresentou a atmosfera de um trabalho que nasce daquilo que surge sem pedir licença, pensamentos que incomodam, confundem, provocam e, algumas vezes, também aliviam.

Agora, o público conhece o projeto por inteiro. O repertório reúne “Viúva Negra”, “Deus Te Livre”, “Eu e Eu”, “Vai Ver Falar de Mim”, “Quebra de Padrão”, “Carta Aberta ao Novo Casal”, “Tem Sentimento”, “Dúvida”, “Saudade Desesperada”, “Voz do Vento” e “O Mundo”, além de momentos criados para costurar conceitualmente a narrativa do álbum.

Um deles é o “Interlúdio Zezé”, com participação de Zezé Di Camargo, presença que ganha significado dentro da própria discussão proposta por Gustavo sobre tradição e experimentação no sertanejo. Mariana Fagundes, por sua vez, divide os vocais com o cantor em “Tem Sentimento”.

Em “O Mundo”, essa liberdade musical aparece de outra maneira. Conhecida na voz do Capital Inicial, a canção ganha uma nova leitura e coloca dentro de um álbum sertanejo uma referência direta ao rock que Gustavo ouviu e consumiu ao longo de sua formação musical. Mais do que uma escolha isolada de repertório, a faixa ajuda a revelar de onde vêm algumas das influências que atravessam o projeto.

A discussão também extrapola as músicas. Desde os primeiros sinais de “Pensamentos Intrusivos”, Gustavo vem questionando a ideia de que inovação e sertanejo precisam ocupar lados opostos. Para ele, experimentar não significa negar a própria história, mas usar aquilo que já construiu como ponto de partida para descobrir outras possibilidades.

Essa inquietação também ganhou uma narrativa audiovisual, que amplia a experiência do projeto e pode ser acompanhada no canal de Mioto no YouTube.  Em uma ambientação psiquiátrica ficcional, Gustavo tem justamente seu lado mais inquieto e imprevisível colocado sob análise. Cris Paiva e Zezé Di Camargo integram a trama, que usa humor e estranhamento para brincar com as ideias de normalidade, padrão e controle que atravessam o conceito do álbum.


Daiane Paula | @daianepaulafotografia

A construção começou antes mesmo de o público ouvir as novas músicas. Cartas, anotações, pistas e conteúdos publicados nas redes sociais foram apresentando aos poucos os códigos de “Pensamentos Intrusivos” e preparando o terreno para um trabalho em que música, imagem e narrativa partem da mesma inquietação. Depois de um ano e meio guardando, escrevendo, experimentando e dando forma a essas ideias, Gustavo Mioto finalmente coloca seus “Pensamentos Intrusivos” para fora. Sem tentar organizá-los. E, principalmente, sem pedir licença para que eles caibam dentro de um gênero ou rótulo.