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Calvin Harris transforma Rock in Rio em grande balada que terminou mais cedo para alguns

DJ escocês fez sua estreia como headliner no festival, mas deixou parte do público antes do fim.

Estadao Conteudo 07/09/2026
Calvin Harris transforma Rock in Rio em grande balada que terminou mais cedo para alguns
Calvin Harris - Foto: Reprodução / Instagram

O DJ escocês Calvin Harris fez sua estreia no Rock in Rio na noite do domingo, 6. Headliner do Palco Mundo, Harris encontrou um público ainda disposto, mesmo após um dia de chuva persistente e frio de 17 graus no Rio de Janeiro.

Essa é a segunda passagem do DJ pelo Brasil neste ano. Harris esteve no Carnaval de São Paulo, onde, patrocinado por uma cervejaria, tocou em cima de um trio, vestido com uma camiseta da seleção brasileira de futebol. Sua presença na folia paulistana gerou tumulto, empurra-empurra e atrasou a saída do bloco Acadêmicos do Baixo Augusta, provocando protestos dos organizadores do famoso bloco da cidade.

No Rock in Rio, encontrou um ambiente mais controlado. Com grandes poças de água em vários pontos, a Cidade do Rock se transformou em uma grande balada. A questão sobre a pertinência de um DJ ser a grande atração de um festival que, ao longo de mais de 40 anos, é marcado por grandes performances de cantores e músicos, permanece em debate.

A verdade é que o grandalhão Harris — com quase 2 metros de altura — possui hits e carisma suficientes para encerrar um dia que já contou com performances memoráveis, como as de Black Eyed Peas e Ne-Yo.

O segredo de um grande DJ reside em selecionar músicas que empolguem seu público em momentos-chave durante sua apresentação e reciclá-las de tempos em tempos. Harris possui muitos desses trunfos, incluindo sucessos como Feel So Close, Summer, How Deep Is Your Love, e We Found Love, com a voz de Rihanna.

Ingressos esgotados em duas horas

Harris é parte do esforço que o Rock in Rio tem feito na última década para diversificar seu público e atrair cada vez mais marcas para sua imensa arena a cada dois anos. Embora muitos apreciem essa mudança, outros argumentam que o festival já não é o mesmo. O que interessa para os organizadores é a reação do público que adquire os ingressos. Para o domingo de Harris, as vendas se esgotaram em apenas duas horas.

Passe livre para o DJ. Entretanto, tudo com parcimônia. Após uma hora de apresentação, já era possível notar uma grande parcela do público deixando a Cidade do Rock, perdendo os fogos que se tornaram clichê no festival, que encerraram a apresentação com o cover de Levels, de Avicii, após 90 minutos.

Um ponto negativo foi a forma como Harris explorou o imenso telão do Palco Mundo, uma novidade no festival neste ano, com cada artista o utilizando de maneira mais ou menos criativa. O DJ, na maior parte do tempo, apenas projetou sua imagem ou a do público, e a inscrição Rock in Rio permaneceu fixa o tempo todo. Foi, de fato, a balada do festival.