Variedades
Jornalista Luiz Fernando Treviso lança romance policial de estreia
Misturando blaxploitation e 'noir caipira', o livro "Era uma vez em Parpoplanca" traz um detetive negro irreverente em trama de humor ácido.
A literatura policial brasileira ganha uma roupagem recheada de referências cinematográficas underground e sátira social. O jornalista, roteirista e escritor paulistano Luiz Fernando Treviso oficializou o lançamento do livro Era uma vez em Parpoplanca, seu romance de estreia publicado de forma independente por meio do Clube dos Autores. A obra transita pelas fronteiras do suspense clássico, do terror psicológico e do humor ácido, subvertendo as fórmulas tradicionais dos romances de investigação ao introduzir um cenário e personagens profundamente desalinhados com os padrões do gênero.
A narrativa é ambientada em Parpoplanca, uma cidade fictícia do interior que evoca uma atmosfera de congelamento temporal. O município funciona como um microcosmo satírico do Brasil, povoado essencialmente por figuras marginalizadas pelo sistema tradicional. O motor da história é o assassinato misterioso de um morador local, cuja resolução fica a cargo do detetive Canduco.
Afastando-se do estereótipo do investigador melancólico e sisudo dos romances pretos norte-americanos, Canduco é um homem negro de black power imponente que conduz seus interrogatórios calçando chinelos de dedo, faz uso recreativo e assumido de maconha e apresenta crises incontroláveis de riso nos picos de maior tensão da trama.
Homenagem ao cinema blaxploitation e ao trash
Cinéfilo e um dos produtores do podcast Cineblábláblá, Treviso estruturou o esqueleto conceitual do livro utilizando a transmídia. A principal influência da obra é o movimento cinematográfico norte-americano blaxploitation da década de 1970, vertente que revolucionou a indústria ao colocar atores negros no papel de heróis de ação e justiceiros urbanos em tramas de crime.
A escrita do jornalista também bebe diretamente do realismo grotesco e trágico de Nelson Rodrigues, do surrealismo de Federico Fellini, do cinema trash das décadas de 1970 e 1980, e da atmosfera de diretores consagrados como Alfred Hitchcock, David Cronenberg e George A. Romero.
“A obra se constrói como um mosaico de histórias que transitam entre o drama e a comédia, com o objetivo de retratar e provocar reflexão sobre o preconceito racial e estrutural presente na sociedade”, explica Luiz Fernando Treviso.
Produção contínua no mercado independente
Nascido em São Paulo e com especializações em gestão cultural e produção audiovisual, Treviso já planeja a expansão de seu universo ficcional no mercado editorial. O autor trabalha simultaneamente no desenvolvimento de mais dois títulos ficcionais:
- Confissões de uma mente pervertida de um jovem cineasta: Uma crônica brutal e tragicômica sobre a Boca do Lixo paulistana entre as décadas de 1970 e 1990, focada na trajetória de autodestruição de um diretor esquecido;
- O Ano da Desordem: Uma sátira política distópica ambientada em um ano de colapso institucional, onde uma profecia mística mergulha um governo autoritário no fanatismo, desencadeando uma guerra de sobrevivência urbana liderada por entregadores e trabalhadores informais.
O lançamento de Era uma vez em Parpoplanca consolida a força das plataformas de autopublicação em 2026, garantindo que narrativas autênticas, ácidas e desvinculadas das pressões comerciais das grandes editoras encontrem leitores dispostos a explorar novas estéticas na ficção nacional.

FICHA TÉCNICA DA OBRA:
- Título: Era uma vez em Parpoplanca
- Autor: Luiz Fernando Treviso
- Gênero: Romance Policial / Suspense Satírico
- Volume de Páginas: 320
- ISBN: 978-65-01-86738-0
- Editora: Clube dos Autores (Edição Independente / Sob Demanda)
- Ano de Lançamento: 2026
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