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Em 'Brasil 70', Adnet divide cena com Santoro e exalta papel do ator como João Saldanha

Produção retrata a conquista do tricampeonato da Seleção em 1970 e destaca a atuação de Rodrigo Santoro como o lendário jornalista.

28/05/2026
Em 'Brasil 70', Adnet divide cena com Santoro e exalta papel do ator como João Saldanha
Rodrigo Santoro - Foto: reprodução

Brasil 70: A Saga do Tri , série original da Netflix sobre a histórica conquista do tricampeonato mundial pela Seleção Brasileira em 1970, mistura personagens e momentos reais com tramas ficcionais para contar uma das maiores vitórias do futebol nacional. Entre as figuras centrais está João Saldanha (1917-1990), jornalista que comandou a equipe nas eliminatórias e, após ser substituído por Zagallo (1930-2024), atuoso como comentarista dos jogos da Copa.

Reconhecido por seu perfil polêmico, temperamental e politicamente engajado, Saldanha é interpretado por Rodrigo Santoro, que contracena diretamente com Marcelo Adnet, responsável por narrar os lances históricos recriados no Brasil 70 .

“O Rodrigo Santoro é um gênio, é um ator genial, ele desenhou muito o João Saldanha”, declarou Adnet em entrevista ao Estadão, durante o evento de pré-estreia da série, realizado na Nubank Arena (ex-Allianz Parque), em São Paulo.

Adnet, que já havia se aprofundado na vida de Saldanha para criar o samba-enredo do Botafogo Samba Clube em 2021, revelou que, embora nunca tenha conhecido pessoalmente o jornalista, o tinha como ídolo. “Agora eu conheci, filmei ao lado do João Saldanha”, brincou, elogiando a atuação de Santoro: “Ele era o João, fumando, mal-humorado, com observações fortes, uma personalidade fortíssima, inabalável.”

Na série, Adnet interpreta o narrador fictício Eusébio, parceiro de Saldanha nas específicas. "Uma das coisas que constroem meu personagem é o amor e a admiração por João Saldanha, é colocar ele num pedestal, acima de mim. Essa relação é fundamental", contornou, destacando as provocações criativas de Santoro durante as leituras de roteiro.

"A gente lia uma cena e o Rodrigo fazia grandes questionamentos: 'Você está falando isso por quê? Você fala isso com raiva ou com alegria?' Então, a gente construiu essa relação Mas, para mim, eu estava na frente do João Saldanha.”

Apesar de viver um personagem fictício, Adnet não poupou esforços em pesquisa, especialmente para captar o estilo dos locutores esportivos da época. Conhecido por suas imitações de Galvão Bueno, ele buscou referências nos registros originais da televisão brasileira dos anos 1970.

"Era uma época muito diferente para a narração, com a televisão chegando em 1970, em núcleos, a primeira transmissão da Copa, a gente vinda de uma tradição de rádio muito forte. Então, assisti muito material da época para pegar aquele registro que não tinha variação de tom, era bastante fixo."

Parte do desafio incluída inclui o sotaque “padronizado” das atualizações. "O carioca segurava o 's' nas últimas, era um sotaque de locutor. Tinha um registro específico que eu ouvi bastante até pegar."

“Foi muito difícil construir um tom de uma época e um registro tão específico, inclusive o vocabulário.”

Se a pesquisa foi intensa, ao menos Adnet não precisou passar pelo processo de transformação física exigido dos atores que interpretaram os jogadores. "Foi muito bom fazer um personagem fictício, porque eu não preciso ficar parecido com ninguém. O nosso Pelé, o Lucas Agrícola, é o Pelé! Todos são muito parecidos, então eu me livrei disso de ficar colado em alguém."

Criada por Naná Xavier e Rafael Dornellas, com direção de Pedro e Paulo Morelli, Brasil 70: A Saga do Tri estreia na Netflix em 29 de maio.