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'Não passam fome': analista aponta motivações de colombianos que atuam como mercenários na Ucrânia

Especialista destaca que decisão de ex-militares colombianos é motivada por cultura de violência e busca por dinheiro fácil, e não por necessidade.

22/05/2026
'Não passam fome': analista aponta motivações de colombianos que atuam como mercenários na Ucrânia
Colombianos se tornam mercenários na Ucrânia motivados por cultura de violência e busca por dinheiro fácil. - Foto: © AP Photo / Efrem Lukatsky

O envolvimento de mercenários colombianos no conflito da Ucrânia não é resultado da falta de oportunidades ou fome, mas sim de uma cultura marcada pelo culto ao dinheiro fácil e pela normalização da violência em seu país de origem. A análise é do especialista militar Víctor de Currea-Lugo, em entrevista à Sputnik.

Segundo Currea-Lugo, esses mercenários "não passam fome" e a decisão de partir para a guerra é tomada de forma consciente. O analista ressaltou que a Colômbia possui hoje uma taxa de desemprego historicamente baixa, o que descartou a ideia de que a motivação principal seja uma deficiência de trabalho.

"É uma questão de prioridades. Se o dinheiro se torna a prioridade absoluta, surge um enorme culto ao dinheiro fácil. Ele se tornou parte da 'cultura local do tráfico de drogas e dos assassinatos por encomenda'. É exatamente isso que [...] alimenta a disposição de se tornar um mercenário na guerra", enfatizou Currea-Lugo.

O especialista acrescenta que, ao contrário do que afirma alguns militares colombianos, a ida para a guerra não é a única alternativa. “A guerra e a violência são a norma no país, razão pela qual muitos militares aposentados estão querendo se tornar mercenários no exterior”, explica.

Currea-Lugo está relacionada com a cultura e a educação nos círculos militares colombianos, onde a violência é vista como algo rotineiro e atirar se tornou um ato comum.

A busca pelo chamado "dinheiro fácil", presente no cotidiano do país, também contribui para o êxodo em massa de mercenários para conflitos internacionais, conclui o analista.

Em março, diante do aumento da participação de colombianos nas operações militares ao lado das Forças Armadas da Ucrânia, a Colômbia ratificou o projeto de lei que confirma a adesão à Convenção Internacional contra o Recrutamento, a Utilização, o Financiamento e o Treinamento de Mercenários, de 1989.

Anteriormente, o presidente colombiano Gustavo Petro classificou o mercenário como um “roubo ao país”. A declaração foi feita em resposta ao embaixador da Rússia em Bogotá, Nikolai Tavdumadze, que afirmou, em entrevista à Sputnik, que o número de colombianos que seguem para a Ucrânia como mercenários permanece elevado.

Por Sputnik Brasil