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Béla Tarr, diretor de 'Sátántangó', morre aos 70 anos
Cineasta húngaro, referência no cinema de autor, deixa legado marcado por obras políticas e inovadoras.
Béla Tarr, consagrado cineasta húngaro, faleceu nesta terça-feira, aos 70 anos, após enfrentar uma longa e grave doença. A informação foi confirmada pela Associação de Artistas de Cinema da Hungria.
Em nota divulgada pela Academia Europeia de Cinema, colegas lamentaram a perda: "Lamentamos profundamente a perda de um diretor excepcional e uma personalidade com forte voz política, que não só era muito respeitado pelos seus colegas, como também era aclamado pelo público em todo o mundo. A família enlutada pede a compreensão da imprensa e do público e que não seja solicitada a fazer declarações nestes dias difíceis".
Entre os nove longas-metragens dirigidos por Tarr, destaca-se o épico Sátántangó (1994), filme em preto e branco com mais de sete horas de duração, considerado sua obra-prima.
O longa é baseado no romance homônimo do escritor húngaro László Krasznahorkai, publicado originalmente em 1985 e lançado no Brasil em 2022. Krasznahorkai, parceiro de Tarr em outras produções como A Harmonia Werckmeister (2000), foi laureado com o Prêmio Nobel de Literatura em 2025.
Outro destaque da filmografia de Tarr é Maldição (1988), obra que projetou seu nome no circuito internacional de cinema.
Nascido em 1955 na cidade de Pécs, no sul da Hungria, Béla Tarr estreou na direção com Ninho Familiar (1979), aos 23 anos. O filme, marcado pelo realismo dos diálogos e elenco de atores amadores, conquistou o Grande Prêmio no Festival Internacional de Cinema de Mannheim-Heidelberg.
Seu estilo, caracterizado por longos planos-sequência e cenários melancólicos, influenciou cineastas como Gus Van Sant e Jim Jarmusch. A obra de Tarr também se destacou pelo teor político, retratando o comunismo, o socialismo e tecendo críticas ao nacionalismo e a líderes populistas.
Béla Tarr encerrou sua carreira com O Cavalo de Turim (2011), filme inspirado nas reflexões do filósofo alemão Friedrich Nietzsche, vencedor do Grande Prêmio do Júri (Urso de Prata) no Festival Internacional de Cinema de Berlim.
Após se aposentar, o cineasta mudou-se para Sarajevo, na Bósnia e Herzegovina, onde fundou a escola de cinema film.factory, dedicada à formação de novos talentos e à produção de filmes de seus alunos.
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