RJ em Foco
Rompimento de adutora em Irajá deixa moradora em estado de choque ao comentar sobre o incidente
Doze imóveis foram atingidos pela força da água na comunidade Rio do Ouro; Defesa Civil interditou residências, e ao menos duas precisarão ser demolidas. Moradores perderam móveis, documentos e pertences e ainda não sabem para onde vão.
O barulho da água invadindo os quartos, o desespero de tentar escapar e a preocupação de salvar o que fosse possível marcaram a madrugada dos moradores da comunidade Rio do Ouro, em Irajá, na Zona Norte do Rio. A ruptura de uma tubulação de grande porte da concessionária Águas do Rio ocorreu por volta das 1h30, surpreendendo a maioria dos moradores que dormia ao iniciar este dramático episódio.
Uma das vítimas, Regiane Braga da Silva, de 47 anos, que atua na área de limpeza e residia há mais de duas décadas na comunidade, escapou depois que uma das paredes de sua casa cedeu diante da pressão da água. Acompanhada de seu filho de 13 anos, ela percebeu que a residência começava a ser invadida e, com a única passagem obstruída pela força da água, conseguiu escapar após a queda do muro.
— Quando eu levantei, a água já estava jorrando para dentro do quarto. Não tinha para onde ir. Fiquei desesperada. Por sorte, a parede caiu e eu pude sair por ali. Meu portão era a entrada e a saída, e o cano que estourou estava justamente ali. Se eu fosse para lá, talvez não estivesse nem aqui para contar a história — relatou.
Regiane deixou sua casa levando apenas o filho e deixou para trás tudo o que havia construído ao longo dos anos: móveis, eletrodomésticos, documentos, celulares e até o computador, adquirido com muito esforço e economia após uma separação.
— Comecei do zero, fui comprando minhas coisas aos poucos, sozinha. E agora perdi tudo. Tudo, tudo, tudo — disse, visivelmente abalada.
Sem saber por onde ficará nos próximos dias, a moradora deve passar a noite na casa da irmã, enquanto aguarda uma solução definitiva. Ela afirma que representantes da concessionária fizeram um levantamento dos bens perdidos e forneceram um contato para acompanhamento do processo de indenização.
'Fiquei presa dentro de casa com a água subindo'
Outra moradora, a aposentada Dagmar dos Santos, de 75 anos, também viveu momentos de angústia. Ao acordar durante a madrugada para ir ao banheiro, encontrou o chão coberto por uma lama marrom, com a água rapidamente subindo até sua cintura. A queda de uma parede da casa vizinha bloqueou a entrada, deixando a idosa presa.
— Eu levantei para ir ao banheiro e senti que estava molhado. Quando olhei para o chão, era uma lama marrom. Pensei: o que está acontecendo? Veio o desespero. A parede da menina da frente caiu na minha porta, e eu não podia sair. Fiquei presa dentro de casa com a água subindo — compartilhou.
A saída só foi possível com o auxílio de vizinhos, que ajudaram a criar uma passagem entre os escombros e a atravessar a água que ainda corria com força. A gata da idosa também foi resgatada por um jovem da comunidade.
Moradora do local há 32 anos, Dagmar relatou que já havia vivenciado uma enchente em outra casa na mesma comunidade, mas atribuiu o incidente anterior à cheia do rio que corta a região, e não a um rompimento de tubulação como o ocorrido desta vez.
A residência onde reside atualmente foi interditada pela Defesa Civil. Ela conseguiu voltar para pegar algumas roupas, mas ainda não sabe onde ficará. A idosa conta com a ajuda de amigos e parentes, incluindo alguns deles que moram em Itaguaí.
Casas interditadas e risco de novas perdas
A comunidade foi edificada ao redor do rio que corta a região. Com o rompimento da adutora, a força da água afetou 12 imóveis. Pelo menos duas casas precisarão ser demolidas: uma no local do rompimento da tubulação e outra para permitir a passagem de maquinários para as obras necessárias.
Mais de dez residências sofreram danos, e os moradores foram orientados a não permanecer nos imóveis condenados pela Defesa Civil. Além das perdas materiais, as famílias agora enfrentam o desafio de proteger o que restou. Há receio de saques à noite, uma vez que usuários de drogas transitam pela área. Uma moradora relatou que precisará manter a casa trancada para evitar que seus pertences abandonados sejam roubados.
Os estragos levantam preocupações sobre as condições sanitárias das moradias. Em vielas estreitas, onde a circulação de ar é limitada, infiltrações, mofo e umidade se somam ao forte odor da rede de esgoto. Ratos, baratas e outros insetos também estão entre os problemas enfrentados pelos moradores, que agora precisam lidar com os danos provocados pelo alagamento.
A concessionária Águas do Rio deverá coordenar os procedimentos relacionados aos prejuízos materiais, enquanto a área social se encarregará do atendimento às famílias e da abertura dos processos de indenização dos bens perdidos.
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