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'Dia de los Muertos' é celebrado em evento no Rio com figuras icônicas, luta livre mexicana e mais

Festa celebra feitos e memória de entes queridos que já partiram

Agência O Globo - 01/11/2026
'Dia de los Muertos' é celebrado em evento no Rio com figuras icônicas, luta livre mexicana e mais
'Dia de los Muertos' é celebrado em evento no Rio com figuras icônicas, luta livre mexicana e mais - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Para muitos brasileiros, pode parecer inusitado homenagear a vida de quem já partiu, mas essa é a essência do Dia de los Muertos, uma festividade tradicional mexicana que atrai multidões entre 1º e 2 de novembro. Altares coloridos, fotografias, velas, flores, alimentos e objetos pessoais compõem as oferendas, refletindo a cultura mexicana, que vê a morte como uma continuação natural da vida.

Uma pequena representação dessa cultura atravessou a América Latina e desembarcou nos jardins do Museu da República, no Catete, Zona Sul do Rio, neste final de semana. De sábado a segunda-feira, música, gastronomia e outras expressões populares tomaram espaço para a 4ª edição do "Dia de los Muertos", promovida pelo Consulado Geral do México no Rio de Janeiro.

Direto de Bangu, na Zona Oeste, Vera Alves chegou a caráter, usando uma guirlanda de rosas na cabeça, acompanhada de três amigas, todas vestidas com adereços que celebram a festividade.

— Sempre busquei honrar a ancestralidade. Tenho minha forma de celebrar o Dia de Finados. Dificilmente volto ao cemitério após enterrar um parente, mas realizo um pequeno ritual em meu jardim, com flores e frutas que meus familiares gostavam. A maneira mexicana de celebrar o Dia dos Mortos combina muito comigo. Enquanto muitos brasileiros choram, nós preferimos celebrar e reverenciar aqueles que partiram.

Além de 90 expositores de gastronomia, moda e artesanato, os visitantes do Museu da República puderam assistir a apresentações, cortejos, atividades para crianças, maquiagem de caveira e luta livre mexicana. As amigas Marvick e Natália Goulart também marcaram presença no evento e posaram em frente a um grande altar em homenagem aos que partiram.

— Eu sou suspeita para falar, pois amo o México! As comidas, a cultura e a música me encantam. Neste ano, o evento está diferente, pois foi expandido (antes, o evento se concentrava apenas perto da rua do Catete, mas agora se estendeu até a praia do Flamengo). Venho todos os anos — afirmou a professora Marvick Vieira, de 52 anos, acompanhada da educadora e artista Natália Goulart, de 40.

— Essa ressignificação do Dia dos Mortos é impressionante. Transformam a data em alegria e celebração. Tudo me encanta: desde a caracterização até a interculturalidade — opinou Natália.

Quem visita o evento pode se deparar a qualquer momento com La Catrina, a figura mais icônica do Dia dos Mortos no México, representada como um esqueleto elegantemente vestido. A social media Vanessa Araújo, de 39 anos, encarnou a personagem com roupas e maquiagem típicas, atraindo a atenção dos visitantes nos jardins do Museu da República.

— É uma cultura tão bela e rica... Sinto-me muito feliz em representar a Catrina, uma figura tão importante para eles. As pessoas olham para mim e pensam: "Estou no evento, cheguei ao México". É engraçado — compartilhou.

Vestida a caráter, com uma maquiagem especial, a estudante Ana Luiza Fernandes, de 16 anos, fez uma apresentação de dança teatral com seu grupo escolar, o CIEP 370 Brasil-México, da região da Vila Maria Helena, em Duque de Caxias. A instituição faz parte do projeto Escolas Interculturais Brasil-México, apoiado pelo consulado mexicano, que mistura as culturas dos dois países.

— Nossa apresentação refletiu muito das duas culturas. Além da cultura mexicana, tivemos capoeira e funk. Representar o Brasil e o México foi fundamental para preservar a cultura e conscientizar as pessoas, reduzindo preconceitos. Se tivéssemos mais eventos assim, o Brasil seria um lugar muito mais bonito e colorido — afirmou a estudante.

Erik Pimentel, vice-cônsul responsável por assuntos culturais e educativos, está no Brasil há oito anos e notou uma evolução no interesse dos brasileiros pela cultura mexicana. Para esta quarta edição do evento, o consulado precisou de um espaço maior para acomodar o grande público. No ano passado, 90 mil pessoas marcaram presença, e esse número pode ser superado nos três dias deste ano.

— Fico muito feliz com o sucesso do evento, que é uma festividade alegre e cheia de vida. Cada vez mais as pessoas compreendem nossa cultura nesse período. Antes, acreditavam que comemorávamos a morte, mas, na verdade, festejamos a vida. É excelente que um evento como o nosso, realizado em uma região central da cidade, seja acessível a todos e ofereça atividades gratuitas para conhecer uma das tradições mais importantes e milenares do México — avaliou Erik.

Confira a programação do Dia dos Muertos 2026:

Domingo, 1º de novembro

10h — Teatro infantil: A Bruxinha que Era Boa, de Maria Clara Machado, com Sintonia Dominó, no Espaço Chafariz.

11h — Apresentação do DJ Rayado, no Espaço Chafariz.

12h — Teatro infantil: Um Divertido Dia de Muertos, com Sintonia Dominó, no Palco Flamengo.

13h — Luta livre mexicana: apresentação e oficina com RJPW, no Espaço Chafariz.

14h — Show de mariachis: com Trio Macarena e participação de Tequilero El Trapo, no Palco Flamengo.

15h — Teatro infantil: Viva Chespirito, com Sintonia Dominó, no Espaço Chafariz.

16h30 — Show com o GRES Império Serrano, no Palco Flamengo.

Segunda-feira, 2 de novembro

10h — Apresentação do Bloco Besame Mucho, no Palco Flamengo.

12h — Luta livre mexicana: apresentação e oficina com RJPW, no Espaço Chafariz.

13h — Teatro infantil: Um Divertido Dia de Muertos, com Sintonia Dominó, no Palco Flamengo.

14h — Palestra cantada: com o escritor Marcos Salles, autor do livro O Sambista Perfeito: Arlindo Cruz, na Sala de Educação.

14h — Teatro infantil: A Bruxinha que Era Boa, de Maria Clara Machado, com Sintonia Dominó, no Espaço Chafariz.

15h — Show de mariachis, com Mariachis RJ, no Palco Flamengo.

16h30 — Roda de samba: “Uma homenagem a Arlindo Cruz”, com Canto do Samba, no Palco Flamengo.

Serviço

Local: Palácio do Catete

Horário: Das 10h às 18h

Entrada: Gratuita