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Moraes solta desembargador investigado no caso TH Joias e autoriza transferência de Bacellar para presídio no Rio

Ex-presidente da Alerj continuará preso, mas deixará penitenciária federal em Mossoró

Agência O Globo - 31/10/2026
Moraes solta desembargador investigado no caso TH Joias e autoriza transferência de Bacellar para presídio no Rio
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) - Foto: © Foto / Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta sexta-feira a soltura do desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, investigado por suspeita de vazamento de informações sigilosas de uma operação da Polícia Federal contra o ex-deputado estadual TH Joias, acusado de envolvimento com o Comando Vermelho.

Na mesma decisão, Moraes autorizou a transferência do deputado estadual Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), da Penitenciária Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte, para uma unidade prisional no Rio de Janeiro.

Segundo apurou O GLOBO, Bacellar continuará preso preventivamente. A decisão do ministro altera apenas o local de cumprimento da prisão, e a unidade prisional para a qual ele será transferido ainda não foi definida. TH Joias, por sua vez, também permanecerá preso.

No caso de Macário, Moraes substituiu a prisão preventiva por medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica e a apreensão do passaporte. O desembargador estava preso desde 16 de dezembro de 2025.

Macário é investigado por suspeita de ter repassado informações sigilosas sobre uma operação da Polícia Federal contra TH Joias, apontado pelos investigadores como ligado à facção criminosa Comando Vermelho. De acordo com a investigação, o desembargador teria antecipado detalhes da ação policial a Bacellar, que, por sua vez, teria alertado o então deputado estadual sobre a operação.

A defesa do desembargador nega as acusações e sustenta que não há provas de que ele tenha participado do suposto vazamento. Os advogados contestam, entre outros pontos, a suspeita de um encontro entre Macário e Bacellar em uma churrascaria no Aterro do Flamengo, em setembro de 2025.

Segundo a defesa, um levantamento de antenas de telefonia celular solicitado pela própria Polícia Federal indicaria que os dois não estiveram juntos naquela data. Os advogados afirmam ainda que o desembargador participou de um jantar com amigos em um restaurante no Leblon naquela noite.

Em manifestação divulgada nesta sexta-feira, o advogado Patrick Berriel afirmou que a decisão de Moraes reconheceu a possibilidade de substituir a prisão por medidas menos restritivas.

"Desde o início, a defesa entendia que a prisão era desnecessária, que medidas cautelares eram suficientes. Pleito que foi reconhecido agora pelo STF. Durante a fase de instrução do processo, temos certeza de que iremos provar a inocência do desembargado", afirmou.

Apesar da soltura do desembargador e da autorização para a transferência de Bacellar, as medidas não representam o encerramento das investigações sobre o suposto vazamento de informações da operação contra TH Joias.