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Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS lança plataforma pública com mais de quatro mil materiais sobre a história da epidemia no país

Para comemorar quatro décadas de atividades, a entidade reuniu ativistas e especialistas para debater os caminhos da resposta ao HIV no país

Agência O Globo - 30/10/2026
Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS lança plataforma pública com mais de quatro mil materiais sobre a história da epidemia no país
Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS lança plataforma pública com mais de quatro mil materiais sobre a história da epidemia no país - Foto: Reprodução / Agência Brasil

A Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS (ABIA) celebra 40 anos de atividades e, nesta quinta e sexta-feira, realizou o seminário "40 Anos de Solidariedade: A ABIA, a Sociedade Civil e a Construção da Resposta à Epidemia do HIV no Brasil", em homenagem à sua atuação pioneira na defesa dos direitos humanos e na saúde pública. Durante o evento, a entidade apresentou seu novo Diretório Digital, uma plataforma de acesso público que congrega mais de quatro mil materiais sobre a história da epidemia no país, incluindo reportagens, vídeos, artigos acadêmicos e documentos históricos.

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— A epidemia não é apenas uma questão médica; uma epidemia é uma questão social e política, e você não pode pensar sobre uma epidemia sem considerar essas dimensões — afirmou o presidente da entidade, Richard Parker, ao discutir o conceito da "terceira epidemia", que envolve o combate ao estigma e à discriminação.

Fundada formalmente em 1987, a partir de encontros organizados pelo sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, e pelo escritor Herbert Daniel, a ABIA construiu sua trajetória com base no conceito de solidariedade. Os painéis do seminário abordaram novas estratégias para a pedagogia da prevenção, defendendo a inclusão do erotismo e do prazer nas discussões sobre direitos sexuais, o uso de linguagens visuais como a pós-pornografia e a necessidade de comunicar-se com a juventude sem moralismos. Outro ponto central foi a urgência de integrar as pautas femininas e a cidadania no debate preventivo.

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— O seminário tem um marco simbólico importante pelo momento histórico em que ocorre. Precisamos refletir sobre os modelos que continuamos a reproduzir, tanto em termos de linguagem quanto em formatos de comunicação, garantindo que o diálogo alcance realmente as comunidades e as bases — analisou Carla Almeida, representante da Articulação Nacional de Luta contra a AIDS (ANAIDS).

O vice-presidente da ABIA, Veriano Terto Júnior, destacou que a produção de saber que surge nos próprios territórios não deve ser subestimada, mas sim aliada ao conhecimento gerado na academia. "Comunidades são experts; a universidade também desempenha e deve cumprir suas responsabilidades, mas nossas experiências também são formas de conhecimento", defendeu Veriano ao ressaltar o protagonismo comunitário no enfrentamento das desigualdades.

Nesta sexta-feira, o papel do Sistema Único de Saúde (SUS) e a garantia do fornecimento gratuito de antirretrovirais foram novamente abordados no debate sobre o acesso ao tratamento. Ao discutir propriedade intelectual e saúde pública, a diretora executiva do Médicos Sem Fronteiras (MSF) no Brasil, Renata Reis, defendeu a gratuidade dos medicamentos fornecidos pelo SUS como pilar fundamental da dignidade humana.

— As principais agendas do mundo hoje são a da fome e a do medicamento, porque sem comida e sem tratamento para quem precisa, o resultado direto é a morte — alertou Renata.

Com reportagens, produções acadêmicas e registros audiovisuais acumulados ao longo de quatro décadas, o novo Diretório Digital estará disponível para consulta pública em breve. Com pesquisa conduzida por Carla Pereira, o projeto contou com a idealização de Juan Carlos de La Concepción Raxach e coordenação de Veriano Terto Jr. e Diego Mesquita dos Santos.