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'Onde anda você?': em dois meses, Rio só teve sete dias de tempo aberto; veja a previsão para esta sexta
Ao longo de outubro, a passagem de frentes frias favoreceu a ocorrência de instabilidade e o aumento da nebulosidade.
“E por falar em saudade, onde anda você?” Os versos do clássico de Vinicius de Moraes e Hermano Silva tratam de um amor ausente — sumido como o sol, que há quase dois meses se esconde sob tempo instável no Rio. Do mês passado até a última terça-feira, a cidade teve apenas sete dias sem chuva. Novembro já bate à porta e, mesmo assim, as projeções ainda não são muito animadoras para cariocas e turistas que não gostam de tempo nublado.
Há quem encare o cenário praiano para — literalmente — não perder a viagem. Ontem, visitantes teimosos enfrentavam o chuvisco que persistia desde o fim da manhã. Recém-chegado a Copacabana, um grupo de amigos de Bogotá, na Colômbia, curtia o calçadão, com direito a latão de cerveja na mão e óculos escuros.
— O clima anda instável, é difícil acertar quando vai ficar firme. Mas a cidade tem muita natureza, mesmo com chuva é bonita. E há outras coisas que queremos conhecer, como o AquaRio e lugares históricos — conta o engenheiro mecânico Sebastián Paes, que chegou com três amigos para passar uma semana em território carioca.
Perto dos turistas estrangeiros, um casal do litoral do Paraná ostentava roupas de verão, short e camiseta, sem aparentar incômodo com os pingos cada vez mais frequentes.
— Aqui é quente, estou achando a chuva até refrescante — contou Ariane Sousa, ao lado do namorado. Acostumados com o clima mais ameno do Sul, eles aproveitaram a manhã para fazer a trilha do Pão de Açúcar e passear de bicicleta pela orla.
Efeitos do El Niño
Ao longo de outubro, a passagem de frentes frias favoreceu a ocorrência de instabilidade e o aumento da nebulosidade, não só na capital, mas em todo o Estado do Rio. Algumas frentes frias, inclusive, ficaram estacionadas por aqui, por conta de mudanças na circulação atmosférica.
— A presença de uma massa de ar mais quente nas regiões Norte e Nordeste e em parte do Centro-Oeste acaba mantendo as instabilidades presas no Sul e no Sudeste. Isso é uma característica normal em anos de El Niño, favorecendo o que temos visto no Rio — explica o meteorologista Guilherme Borges.
A previsão para os próximos dias, pelo menos até o feriado de Finados, na segunda-feira, ainda é de chuva. Segundo o Alerta Rio, da prefeitura, hoje podem ser esperados céu encoberto e chuva fraca a moderada. Na madrugada de amanhã, há possibilidade de pancadas isoladas, além de ventos fracos a moderados (de até 51,9km/h).
A situação pode começar a melhorar em novembro. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a perspectiva para o mês que vem é de chuva abaixo da média em todo o estado, com redução estimada entre 10mm e 50mm. Quanto às temperaturas, a probabilidade é que fiquem acima da média histórica.
À espera de algum clima de verão, um casal de portugueses se frustrou ao encontrar a cidade chuvosa.
— Estamos tristes. Nos planejamos por quatro meses, não vivemos o verão na Europa para conseguirmos ficar mais aqui no Rio, e agora não para de chover. Vamos aproveitar, mas não vai ser com a mesma beleza — resume a turista Sara, moradora da região do Porto.
O mau tempo não ajuda os negócios de Débora Camargo, agente de turismo que trabalha no calçadão de Copacabana vendendo passeios. À pergunta que não quer calar, “cadê o sol no Rio?”, ela responde com humor:
— Deve ter fugido no avião do Flávio — brinca, antes de confessar: — Nunca tinha encarado um mês como esse.
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