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Operação Unha e Carne: veja como foram as oito fases anteriores da ação da PF
Nova etapa foi desencadeada a partir da análise de informações obtidas após a quinta fase da operação
A Polícia Federal deflagrou ontem a nona fase da Operação Unha e Carne, que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e uso de empresas e terceiros para dissimular a propriedade de bens e valores. Os agentes cumpriram quatro mandados de busca e apreensão na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio. Três dos quatro endereços visitados foram salas comerciais ligadas ao pastor Márcio Poncio, preso desde julho, na quinta fase da Unha e Carne, sob suspeita de integrar a chamada máfia do cigarro. O quarto imóvel pertence a Bernardo Coutinho Loyola, sobrinho do contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, que está preso desde fevereiro e é apontado como chefe do grupo criminoso.
A nova etapa foi desencadeada a partir da análise de informações obtidas após a quinta fase da operação. As investigações identificaram indícios de uma rede patrimonial que incluiria imóveis de alto padrão, aeronaves executivas, veículos de luxo e empresas registradas em nome de familiares e terceiros formalmente sem vínculo com o núcleo investigado.
Fases anteriores da operação já levaram à prisão Márcio Canella, o segundo deputado estadual mais votado para a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) nas eleições de 2026, e Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Casa.
Relembre as oito etapas da Operação Unha e Carne:
8ª fase: Prisões de Márcio Canella e Marcus Amim em investigação sobre lavagem de dinheiro.
Na ação há duas semanas, os policiais federais cumpriram seis mandados de prisão preventiva e 16 mandados de busca e apreensão nos municípios do Rio de Janeiro, Niterói, Angra dos Reis, Petrópolis, Armação dos Búzios, Nova Iguaçu e São Gonçalo. Canella, preso no condomínio onde mora na Barra da Tijuca, foi o segundo deputado estadual mais votado para a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) nas eleições de 2026, com mais de 197 mil votos. Amim, preso no bairro de Icaraí, em Niterói, ocupou alguns dos principais cargos da segurança pública fluminense ao longo da carreira, como a Secretaria de Polícia Civil e o Detran-RJ.
7ª fase: Vereador ligado a Canella é preso com fuzis e submetralhadora.
Prisão do vereador Jorge Eduardo Barreto de Andrade Filho, que adotou o nome de Jorge Canella (União Brasil) pela aproximação política com o deputado estadual Márcio Canella, no último 22. Não há, no entanto, relação de parentesco entre os dois. O ex-parlamentar foi detido em flagrante, no fim de setembro, após agentes encontrarem dois fuzis e uma submetralhadora em sua casa, na Zona Sudoeste do Rio. Segundo a Polícia Federal, o armamento estava "em desacordo com a previsão legal" e o vereador deveria responder pelo crime de posse ilegal de arma de fogo de uso restrito.
6ª fase: Fuzil no carro de Canella leva à prisão do político.
Márcio Canella também foi preso pela Polícia Federal na sexta fase da Operação Unha e Carne, deflagrada em 7 de julho, após agentes encontrarem um fuzil em seu carro. Ficou preso em Bangu Oito, no Complexo de Gericinó, na Zona Norte, mas foi solto em seguida. O delegado Marcus Amim também foi alvo da PF à época.
5ª fase: Lista de propina de Adilsinho coloca políticos na mira da PF.
Deflagrada no início de julho, teve como ponto de partida uma lista de propina paga pelo bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, com ao menos 20 nomes, inclusive de políticos. Na ação, o pastor Márcio Poncio foi preso. O ex-deputado federal Marco Antônio Cabral foi alvo de uma operação de busca e apreensão.
4ª fase: Fraudes na Secretaria de Educação levam à prisão de deputado.
Resultou na prisão, em 6 de maio, do deputado estadual Thiago Rangel. Ele e mais seis pessoas eram acusados de atuar em organização criminosa envolvida em fraudes na compra de materiais e contratação de serviços, em que pese reformas, no âmbito da Secretaria estadual de Educação.
3ª fase: Bacellar volta à prisão por suspeita de vazamento de informações.
Rodrigo Bacellar é preso pela PF, pela segunda vez, em 27 de março, em Teresópolis. O mandado foi expedido pelo ministro do STF Alexandre de Moraes. Na decisão, o ministro citava a perda do mandato parlamentar e apontava indícios da atuação dele num esquema de vazamentos de dados para atrapalhar uma operação da PF contra o Comando Vermelho.
2ª fase: Desembargador é preso após PF identificar mensagens com Bacellar.
O desembargador Macário Júdice Neto, relator do caso TH Joias no Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), é preso em 16 de dezembro. A PF encontrou no celular de Rodrigo Bacellar uma troca de mensagens com Macário, demonstrando relação estreita entre eles.
1ª fase: Bacellar é preso por suspeita de alertar TH Joias sobre operação.
Desdobramento da operação Zargun, deflagrada em 3 de dezembro, que resultou na prisão do ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, solto dias depois. Segundo a Polícia Federal, Bacellar repassou à TH Joias informações sobre a operação que resultou na prisão do ex-parlamentar, ocorrida em setembro.
Operação Zargun: Prisão de TH Joias expõe suspeita de ligação entre CV e política.
Início das ações policiais que resultariam na Operação Unha e Carne. Momento da prisão do então deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Joias. As investigações apontavam o ex-parlamentar como elo político entre o Comando Vermelho e o Poder Legislativo do Rio.
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