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Sobrinho de Adilsinho, alvo da PF na Operação Unha e Carne, já recebeu Flávio Bolsonaro em seu camarote na Sapucaí

Empresário já foi investigado na Operação Smoke Free, em 2022, e tem negócios com o tio, apontado como chefe da máfia do cigarro

Agência O Globo - 29/10/2026
Sobrinho de Adilsinho, alvo da PF na Operação Unha e Carne, já recebeu Flávio Bolsonaro em seu camarote na Sapucaí
Adilsinho - Foto: Reprodução

Bernardo Coutinho Loyola, de 27 anos, sobrinho do contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, foi alvo de um mandado de busca e apreensão nesta quinta-feira, na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio, durante a nona fase da Operação Unha e Carne, da Polícia Federal. A investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e uso de empresas e terceiros para dissimular a propriedade de bens e valores. O imóvel ligado ao empresário é apontado como pertencente a um dos principais operadores identificados na apuração.

Carnaval

Ligado à escola de samba Grande Rio, Bernardo também circula pelo meio artístico e empresarial do Carnaval carioca. Em 2022, quando tinha 23 anos, ele ganhou destaque sobre sua presença entre personalidades conhecidas e a movimentação de seu espaço na Marquês de Sapucaí, o Camarote Arpoador. Naquele Carnaval, recebeu o então senador Flávio Bolsonaro (PL), e a mulher dele, Fernanda, no camarote. Quatro anos depois, Flávio disputou o segundo turno da eleição presidencial contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas foi derrotado. Após o resultado, deixou o Brasil e chegou a Miami, nos Estados Unidos, ontem, apesar de uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para que entregasse os passaportes e não saísse do país.

A vida pessoal de Bernardo também ganhou projeção quando a influenciadora Pétala Barreiros afirmou que namorava Bernardo pouco antes de participar do reality show A Fazenda.

Máfia do cigarro

Esta não é a primeira vez que Bernardo é investigado em uma operação contra o comércio ilegal de cigarros. Em 2022, ele foi preso preventivamente durante a Operação Smoke Free, deflagrada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público para investigar uma organização criminosa suspeita de atuar na venda ilegal de cigarros. A Justiça converteu a prisão preventiva dele em domiciliar. Na decisão, a juíza responsável pelo caso citou a existência de residência fixa, atividade profissional lícita e a necessidade de tratamento médico, inclusive com administração de medicação que exigia acompanhamento hospitalar.

Na ocasião, a investigação apontou que o grupo teria falsificado ou deixado de emitir notas fiscais durante três anos, além de transportar e vender cigarros em territórios dominados pelo crime. Segundo a PF, a organização também teria lavado os recursos obtidos ilegalmente e remetido grandes quantias ao exterior, causando um prejuízo estimado em R$ 2 bilhões à União.

Sociedade com o tio e instituto contra câncer

Bernardo tem participação em empresas, entre elas a ADPAR Produções e Eventos Ltda., da qual foi sócio de Adilsinho. A empresa, voltada ao setor de eventos, está com a situação cadastral baixada. Ele também aparece como dono da BCL Participações, cuja lista de atividades econômicas inclui serviços de apoio administrativo, consultoria em tecnologia da informação, participação em holdings, compra e venda e aluguel de imóveis próprios, além de consultoria em gestão empresarial.

O empresário também é diretor do Instituto Nair — Núcleo de Apoio Infantil Contra o Câncer, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. A mãe dele, Claudia Nunes Coutinho, ocupa a presidência da instituição, que se apresenta nas redes sociais como uma entidade sem fins lucrativos voltada ao apoio a famílias de crianças e adolescentes de até 18 anos com câncer. Entre as atividades econômicas cadastradas estão centros de apoio a pacientes com câncer e Aids e albergues assistenciais.

Nova fase da Operação Unha e Carne

Deflagrada nesta quinta-feira, a nona fase da Operação Unha e Carne cumpre quatro mandados de busca e apreensão na Barra da Tijuca, por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF). Três endereços são salas comerciais ligadas ao pastor e empresário Márcio Poncio, preso na quinta fase da investigação. O quarto imóvel pertence a Bernardo.

Segundo a PF, a nova etapa foi desencadeada a partir da análise de informações obtidas após a quinta fase, especialmente de dados extraídos do celular apreendido com um dos investigados. O material teria revelado novos endereços, estruturas empresariais e ativos patrimoniais que poderiam ser utilizados pelo grupo para administrar, ocultar e movimentar recursos financeiros.

As apurações incluem indícios de uma rede patrimonial com imóveis de alto padrão, aeronaves executivas, veículos de luxo e empresas registradas em nome de familiares, pessoas próximas e terceiros. A PF também investiga o uso de dinheiro em espécie, movimentações financeiras de difícil rastreamento e possíveis estruturas empresariais e patrimoniais para ocultar a titularidade de bens.