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Quem é o assessor parlamentar preso em operação contra rede de exploração sexual de adolescentes

Professor e pesquisador, Carlos Alberto Bittencourt trabalhou por anos nos gabinetes dos deputados Talíria Petrone e Flávio Serafini; segundo a investigação, é suspeito de participar de esquema de produção e circulação de vídeos de violência sexual

Agência O Globo - 29/10/2026
Quem é o assessor parlamentar preso em operação contra rede de exploração sexual de adolescentes
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O assessor parlamentar Carlos Alberto Lúcio Bittencourt Filho, de 45 anos, foi preso na quarta-feira (28) durante uma operação da Polícia Civil do Rio que investiga uma rede criminosa suspeita de praticar violência e exploração sexual contra adolescentes. Ele trabalhava no gabinete da deputada federal Talíria Petrone (PSOL), na Câmara dos Deputados, e já havia sido chefe de gabinete do deputado estadual Flávio Serafini (PSOL), na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Ele deve passar por audiência de custódia ainda hoje.

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Segundo a investigação, ele é suspeito de participar do esquema que produzia vídeos de violência sexual contra adolescentes e utilizava as imagens para ameaçar e chantagear as vítimas. A apuração busca esclarecer a atuação de cada um dos investigados na rede criminosa.

Antes de ingressar na política institucional, Carlos Alberto construiu uma trajetória como professor e pesquisador. Ele é graduado em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e atuou nas redes municipal e estadual de ensino.

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Entre 2010 e 2015, trabalhou no Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), onde foi pesquisador e coordenador do Observatório do Pré-Sal e da Indústria Extrativa Mineral. Sua atuação acadêmica se concentrou em temas relacionados à mineração, à exploração de recursos e aos impactos econômicos e sociais dessas atividades.

Na UFF, concluiu um mestrado em Ciências Sociais, com uma dissertação sobre os impactos da atividade da mineração de ferro da Anglo American em Conceição do Mato Dentro (MG). Na instituição, também realizou um doutorado sobre a financeirização da mineração de ferro e seus efeitos no Brasil.

Atuação na Alerj e na Câmara dos Deputados

Carlos Alberto passou a ocupar cargos em gabinetes parlamentares pelo menos em 2015, quando foi nomeado assessor do então deputado estadual Flávio Serafini, do PSOL, na Alerj. Posteriormente, assumiu a chefia de gabinete do parlamentar.

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Em 2016, participou do processo de elaboração do relatório da Comissão Especial sobre a Baía de Guanabara, na Assembleia Legislativa. A partir de 2019, passou a trabalhar no gabinete de Talíria Petrone, então deputada federal pelo PSOL. Ao longo dos anos, ocupou funções de assessoramento parlamentar na Câmara dos Deputados.

O que a polícia investiga

A investigação conduzida pela 74ª DP começou em julho, quando os pais de uma adolescente de 16 anos procuraram a delegacia para denunciar abusos sofridos pela filha. Segundo o delegado Antônio Salvino, a família percebeu mudanças no comportamento da jovem e, após conversar com ela, soube que as violências ocorriam havia cerca de um ano.

De acordo com a Polícia Civil, o grupo investigado produzia vídeos de estupros coletivos e outras agressões e utilizava o material para intimidar as vítimas e submetê-las a novos abusos. A apuração também busca identificar outras possíveis vítimas e esclarecer a participação de cada suspeito.

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As investigações avançaram após a prisão de Matheus Rodrigues Gonçalves, assessor parlamentar da Câmara Municipal de Niterói, em julho. Segundo o delegado, a análise de aparelhos eletrônicos apreendidos e de imagens de câmeras de segurança contribuiu para a identificação de outros suspeitos.

Também foram presas outras seis pessoas, entre elas um terceiro-sargento da Polícia Militar. Os investigados são suspeitos de envolvimento em crimes como estupro de vulnerável, corrupção de menores, exploração sexual de adolescentes, associação criminosa e tortura. A responsabilização individual de cada um dependerá do avanço da investigação e da apuração judicial.

Por meio de nota, a Polícia Militar afirmou que acompanha os desdobramentos da investigação para avaliar as medidas cabíveis ao policial militar preso. A corporação reiterou que não tolera desvios de conduta ou o cometimento de crimes por seus integrantes. A polícia disse ainda que adota as medidas administrativas e disciplinares previstas, com o devido rigor, sempre que as irregularidades são devidamente constatadas.

Também em nota, a deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ) afirmou que foi "surpreendida na manhã de hoje com informações sobre a operação da Polícia Civil decorrente de investigações que seguem em curso sobre exploração sexual. Determinei a exoneração do assessor citado no processo, enquanto aguardamos a elucidação dos fatos".

E completa: "minha vida é e sempre foi pautada pela defesa intransigente das mulheres e de seus direitos. Expresso minha total solidariedade à vítima e à sua família. Não compactuamos com qualquer forma de violência, em especial contra meninas e mulheres. As investigações devem ser conduzidas com transparência, rigor e independência, respeitando o devido processo legal e garantindo a apuração dos fatos com base nas provas".

Já o vereador Professor Túlio, também do PSOL, disse ao site g1 que exonerou o assessor Matheus Gonçalves ainda em julho, assim que soube da prisão. O parlamentar afirmou que se solidariza com as vítimas e defende que o caso seja investigado e os culpados, responsabilizados.