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Guia do transporte seguro: como evitar golpes ao sair do Aeroporto do Galeão? Veja oito dicas

Na quinta-feira, uma operação da Polícia Civil mirou taxistas que usavam dispositivo eletrônico no taxímetro para inflar o preço das corridas

Agência O Globo - 09/10/2026
Guia do transporte seguro: como evitar golpes ao sair do Aeroporto do Galeão? Veja oito dicas
Guia do transporte seguro: como evitar golpes ao sair do Aeroporto do Galeão? Veja oito dicas - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Na última quinta-feira, uma ação da Polícia Civil do Rio mirou motoristas que atuavam de forma irregular. As vítimas preferenciais eram turistas abordados por homens no saguão de desembarque do Aeroporto Internacional Tom Jobim, o Galeão, na Ilha do Governador, na Zona Norte. Diante do risco, como visitantes da cidade podem evitar golpes e fraudes ao deixar o terminal aéreo? O GLOBO selecionou algumas recomendações. Uma das principais orientações é buscar pelas cooperativas de táxi credenciadas. Veja as dicas abaixo.

1 - Cooperativas credenciadas

O aeroporto conta com seis cooperativas de táxis comuns e especiais credenciadas: Aerotaxi e Aerocoop, ambas de táxi comum, além de Transcootour, Transcoopass, Coopatur e Coopertramo, de táxi executivo. A concessionária Aerna orienta os passageiros a utilizarem os guichês oficiais, localizados tanto nas áreas de desembarque doméstico e internacional quanto na área restrita, e a seguirem a sinalização nas saídas dos terminais até os pontos de embarque dos credenciados. O aeroporto também oferece a opção de reserva de táxis pelo site GaleON.

2 - Identificação do veículo e do condutor

A Secretaria Municipal de Transportes (SMTR) orienta os passageiros a verificarem a identificação do veículo. O táxi deve seguir o padrão visual estabelecido pelo município do Rio. No caso do táxi convencional, o veículo é amarelo, com faixa azul-escuro nas laterais, possui letreiro luminoso “TÁXI” na parte externa do teto e taxímetro visível no painel. Outra recomendação é conferir o Cartão de Identificação de Auxiliar de Transporte (CIAT), que deve estar visível no interior do veículo e conter a identificação e a foto do condutor.

Anotar ou fotografar a placa é uma das informações mais importantes para permitir a localização do táxi e do motorista, em caso de denúncia.

3 - Taxímetro ligado

Observar o taxímetro é fundamental. O equipamento deve estar instalado em local visível ao passageiro, que deve acompanhar seu funcionamento e o valor registrado durante a corrida. No Galeão, o passageiro pode optar pela cobrança antecipada por tabela pré-fixada pela SMTR. Nesse caso, o cliente deve se dirigir ao balcão da cooperativa e pagar o valor informado. Um voucher será emitido e deve ser apresentado ao motorista. Independentemente do pagamento antecipado, o taxímetro deve sempre estar ligado, conforme determina a SMTR.

4 - Atenção aos valores dos táxis

Táxi convencional (preços referentes a 2026):

Bandeirada: R$ 6,30

Quilômetro rodado (tarifa I): R$ 3,85 (de segunda a sábado, das 6h às 21h)

Quilômetro rodado (tarifa II): R$ 4,62 (de segunda-feira a sábado, das 21h às 6h, e nos domingos e feriados, o dia inteiro)

Hora parada ou de espera: R$ 48,51

Táxi executivo (preços referentes a 2026):

Bandeirada: R$ 8,50

Quilômetro rodado: R$ 6,55

Hora parada ou de espera: R$ 82,53

A bandeirada é a taxa fixa inicial cobrada para dar partida no táxi. O valor final da corrida é calculado somando-se a bandeirada, o valor dos quilômetros rodados e o tempo de parada (se houver). Isso significa que um deslocamento, sem parada, entre 6h e 21h, em um táxi convencional, do aeroporto até Copacabana (distância de 22 km), por exemplo, custa cerca de R$ 90. Para o Centro (17 km), R$ 70. Em direção à Barra (33 km), R$ 130. Já quem vai para Madureira (20 km) precisa desembolsar aproximadamente R$ 80. Caso esses valores sejam muito discrepantes, deve-se ligar o alerta.

5 - Conservação dos veículos

Verificar as condições do veículo é essencial. Observar o estado dos pneus, a conservação da lataria e a situação geral do interior. Caso o automóvel não esteja em condições adequadas, o passageiro deve optar por outro táxi.

6 - Táxi.Rio

O aplicativo, gerido pela prefeitura, permite solicitar corridas com taxistas cadastrados, acompanhar o trajeto e consultar o valor calculado pelo sistema. A recomendação é conferir o valor indicado ao final da viagem e, preferencialmente, realizar o pagamento diretamente pelo aplicativo, por meio do cartão de crédito cadastrado, quando essa modalidade estiver disponível. Nas demais formas de pagamento, o passageiro deve observar o valor informado pelo aplicativo. A solicitação dos carros deve ser feita na área de embarque.

7 - Uber e outros aplicativos

Os veículos por aplicativo da plataforma da Uber contam com local específico para embarque (lounge), situado em área externa próxima à porta A. Na área de desembarque, há sinalização ao longo do percurso. Recuse as ofertas insistentes de transporte por aplicativo feitas por homens no saguão. Conhecidos como “jóqueis”, eles trabalham irregularmente no terminal. Direcione-se ao lounge e solicite pelo aplicativo. “A recomendação primordial é: não aceite abordagens de motoristas fora do aplicativo. Ao realizar viagens 'por fora', o passageiro perde a rede de proteção da plataforma, que inclui o monitoramento em tempo real, o seguro contra acidentes e o suporte 24h da Central de Ajuda. Além disso, transações financeiras fora do app dificultam a rastreabilidade em caso de cobranças indevidas ou golpes”, orienta a 99.

8 - Transporte público

O aeroporto tem conexão com o BRT, incluindo uma linha expressa que leva diretamente ao Terminal Intermodal Gentileza (TIG), localizado na região central do Rio. O serviço, que pode ser acessado pelo Terminal 2 de desembarque, custa R$ 15.

A partir do Gentileza (TIG), o passageiro pode fazer a integração com o VLT (R$ 5) para acessar outras áreas do Centro, como a Central do Brasil, onde pode ser feita a conexão com o trem (R$ 7,60) e o metrô (R$ 7,90), modais que levam para áreas das zonas Norte e Sul e para a Baixada Fluminense.

A estação do BRT do Galeão conta também com serviço para Madureira, na Zona Norte, com possibilidade de conexão com o metrô em Vicente de Carvalho.

Taxímetro adulterado

A fraude nos taxímetros foi descoberta pela Polícia Civil após a denúncia de um passageiro. Em janeiro, o turista embarcou no táxi com destino à Tijuca e observou que os valores “pulavam” rapidamente no taxímetro durante a corrida. Ao reclamar com o motorista, que chegou a oferecer um desconto, decidiu anotar a placa do carro e procurar a polícia.

Empreendimento:

Na investigação, o táxi foi localizado. Dentro do veículo, um pequeno aparelho instalado no taxímetro, acionado por um botão escondido sob o tapete do motorista, era capaz de multiplicar em até 20% o valor do taxímetro.

Suspeita de vantagens indevidas:

Numa corrida de 22 quilômetros entre o Galeão e Copacabana, o valor cobrado foi R$ 900 — sete vezes o preço fixado pela prefeitura em tabela.

De acordo com a investigação, cerca de 200 veículos estariam circulando com esse dispositivo fraudulento na cidade.

Violência doméstica:

As vítimas em potencial eram turistas abordados por homens no saguão, na saída do desembarque, conhecidos como “jóqueis”, que trabalham irregularmente no terminal. Ao conquistarem o passageiro, eles telefonam para o taxista e levam o cliente até o carro.

A investigação revelou que taxistas envolvidos no esquema atuam sob o controle do Comando Vermelho, a quem pagam uma taxa de R$ 120. A cobrança, que seria diária, garantia a cobertura do tráfico aos motoristas e um espaço para estacionar à espera das corridas em ruas perto do Morro do Barbante, a cerca de 500 metros do aeroporto.

Contaminação:

Na quinta-feira, agentes da Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM) foram ao Galeão e conduziram mais de 30 taxistas e “jóqueis” para depor. Dezessete táxis que possuíam o dispositivo que frauda os valores das corridas foram levados para passar por perícia na Cidade da Polícia, no Jacaré.

A operação teve apoio de policiais das delegacias do Aeroporto Internacional do Rio e Especial de Apoio ao Turismo (Deat). Há mais de dez registros de vítimas em unidades da polícia reclamando do preço superfaturado de corridas só em 2026. De acordo com a investigação, os taxistas envolvidos no golpe não eram cadastrados em cooperativas que trabalham no aeroporto.