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Família confirma a morte de pizzaiolo baleado por PM em Niterói

Tragédia provoca revolta em parentes e amigos

Agência O Globo - 15/09/2026
Família confirma a morte de pizzaiolo baleado por PM em Niterói
Família confirma a morte de pizzaiolo baleado por PM em Niterói - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A família confirmou, na tarde desta terça-feira, a morte de Danilo Jander Francisco Alves, em Niterói. Ele estava internado em estado grave no Hospital Estadual Azevedo Lima, no Fonseca, onde passava por exames para verificar a atividade cerebral. A morte foi comunicada pela equipe médica por volta das 15h30.

Entenda:

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Patrulhamento e ordem de parada

Segundo a Secretaria de Estado de Polícia Militar, agentes do Niterói Presente faziam patrulhamento na região quando, por volta das 18h, tentaram abordar Danilo, que teria desobedecido à ordem de parada.

A guarnição era composta por dois agentes: um sargento do Batalhão de Choque, autor dos disparos, e um sargento do Batalhão Tático de Motocicletas (BTM). Ambos estavam em duas motocicletas paradas no sinal de trânsito da Rua Mariz e Barros, esquina com a Avenida Roberto Silveira.

Durante a abordagem, um dos policiais efetuou um disparo. O motociclista foi atingido na cabeça, próximo do número 354 da Rua Mariz e Barros e, por volta das 18h40, foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros e levado para o Hospital Estadual Azevedo Lima, onde permaneceu internado em estado grave.

O policial responsável pelo disparo foi preso e conduzido para uma unidade prisional da corporação. A Corregedoria da Polícia Militar acompanha o caso.

Em depoimento, o autor do tiro relatou que os policiais perceberam o motociclista avançando o sinal vermelho, trafegando em alta velocidade e, em determinado momento, empinando a moto. Os agentes acompanharam o rapaz até que ele precisou parar devido ao trânsito.

Ainda de acordo com os policiais, um dos agentes utilizou spray de pimenta durante a abordagem. O militar que atirou afirmou que viu o motociclista levar a mão em direção à cintura, sacou a arma e, no momento em que desembarcava da motocicleta, ocorreu o disparo. Segundo ele, o tiro foi involuntário. Já o colega de farda, também em depoimento, afirmou não ter sido possível ver se o motociclista, naquele instante, realizou algum gesto com uma das mãos em direção à região da cintura.

Testemunha dá versão diferente da policial

Uma testemunha, porém, apresentou uma versão diferente. Ela afirmou que o motociclista veio diminuindo a velocidade até parar e que “ele tentou matar mesmo. Não foi sem querer”. Segundo ela, os policiais cercaram a motocicleta e Danilo levantou as mãos. Um dos agentes usou spray de pimenta contra o motociclista e, quase imediatamente, o outro policial efetuou o disparo.

A testemunha disse ainda não ter percebido nenhuma atitude suspeita do motociclista antes da abordagem.

Após o disparo, os policiais fizeram uma revista no motociclista e, segundo o depoimento de um dos agentes, nenhum objeto ilícito foi encontrado com ele.

Os policiais também relataram que houve aglomeração de pessoas no local e um aumento da tensão após a abordagem. Segundo eles, o spray de pimenta foi utilizado para afastar os populares que se aproximavam.

O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSG). Testemunhas já foram ouvidas, e imagens de câmeras de segurança estão sendo analisadas para esclarecer a dinâmica da abordagem e do disparo.

“Ele tentou matar mesmo. Não foi sem querer”

O agente que fez o disparo, um sargento lotado no Batalhão de Choque, alegou que o tiro foi acidental. Para o pai, o educador físico Jander Luiz de Souza Alves, porém, houve uma “tentativa de assassinato”.

— Não teve nada de sem querer, não. Ele tentou matar meu filho mesmo — afirma o pai, com os olhos marejados. — Espero que não coloquem meu filho como bandido, porque ele era trabalhador, assim como toda a nossa família, que tem muitas mulheres professoras e homens militares.

Danilo, morador do bairro Gradim, em São Gonçalo, trabalhava como pizzaiolo no restaurante Sushi Rão, na Rua Mariz e Barros, em Icaraí. De acordo com o pai, ele estava a caminho do trabalho quando foi abordado. Jander contesta ainda a versão apresentada pelo policial, que disse em depoimento que Danilo trafegava em alta velocidade e empinava a moto.

— Não tinha como ele fazer isso numa via que tem muita movimentação de carros. Mesmo assim, isso não justificaria um tiro na cabeça. Ele tinha habilitação e a moto estava regular. Tanto que ela foi devolvida à família após a perícia. Ele estava de capacete, que agora está em casa com o furo da bala — diz Jander. — Na mochila dele, havia uma garrafa de café e uma peça de roupa.

“Não consigo acreditar que ele tomou tiro de um policial”

O tio de Danilo, Douglas William Souza Alves, sub-oficial da Marinha do Brasil, o descreve como um jovem alegre, honesto e reservado.

— É um menino muito próximo da família e educado. Sou tio paterno dele e o tenho como se fosse meu filho. Temos total afinidade. Ele está sempre na casa da minha mãe tomando café — relata.

Douglas diz que está com um sentimento de revolta “pela forma como tudo se deu”.

— Pelo que soubemos, foi uma abordagem completamente incisiva. Ele já estava rendido, com as mãos para o alto, e foi alvejado com spray de pimenta e, depois, com um disparo — conta o tio. — Soubemos da situação por um amigo dele, que pediu que o pai fosse até o trabalho dele com urgência. Eu achei que ele tivesse se acidentado. Nunca iria imaginar que ele tinha tomado um tiro na cabeça de um policial. E ainda não consigo acreditar.