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Testes de glicose em escola: pelo menos 15 pessoas são medicadas em hospital da Barra

Em feira de ciências, estudante usa mesma lanceta em vários colegas

Agência O Globo - 13/09/2026
Testes de glicose em escola: pelo menos 15 pessoas são medicadas em hospital da Barra
Testes de glicose em escola: pelo menos 15 pessoas são medicadas em hospital da Barra - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O Hospital Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, informou que pelo menos 15 pessoas procuraram a unidade até o fim da noite deste sábado para tratamento profilático após se submeterem a testes de medição de glicose em uma feira de ciências na unidade II do Colégio Tamandaré, no Recreio. A estudante que levou o kit de testes usou uma mesma lanceta (agulha) para coletar sangue de até três pessoas. O protocolo do Ministério da Saúde prevê que, em situações semelhantes, a pessoa procure atendimento médico em até 72 horas para receber medicações antirretrovirais para prevenir a infecção por vírus como o HIV e hepatites. O tratamento é por 30 dias.

A mãe de uma adolescente que estuda na escola e foi ''examinada'' pela outra aluna relatou que, em um primeiro momento, nenhum representante do Tamandaré percebeu o que estava acontecendo:

- A estudante que levou o kit e testou os colegas tem diabetes. A mãe da menina estava ao lado dela. É até difícil acreditar que isso aconteceu. Minha filha voltou do Lourenço Jorge chorando, com medo de ter contraído HIV ou outra doença - disse a mãe, que pretende registrar nas próximas horas um boletim de ocorrência na 42ª DP (Recreio).

O diretor-geral do Tamandaré, Antonio Henrique, confirmou que foram ao menos 15 atendimentos em unidades de saúde, sendo 13 no Lourenço Jorge e dois no Hospital Vitória, até às 4h deste domingo. Ele explicou que a feira vinha sendo planejada desde o retorno às aulas em agosto e que, após orientação, apenas o equipamento deveria ter sido exibido, sem testes.

- Até o momento, todos os testes deram negativo. O risco de contaminação existia, mas era menor porque a lanceta era trocada a cada três exames. Não houve qualquer maldade nesse caso. Estamos com equipes de plantão com acompanhamento psicológico para as famílias - disse o diretor.

A troca da lanceta, usada para coletar uma gota de sangue, era feita a cada três exames. O diretor esclareceu que isso foi decidido com base na recomendação do fabricante para testes individuais. Ele acrescentou que as atividades da feira eram monitoradas, mas a situação não foi percebida de imediato devido ao grande número de pessoas presentes, cerca de 3 mil, entre alunos e pais.

- Acionamos a Vigilância Sanitária da prefeitura no próprio sábado, que nos orientou sobre como proceder. Na segunda-feira, equipes estarão na escola tirando dúvidas e identificando se outras pessoas precisarão fazer o tratamento - acrescentou Antonio Henrique.

Ainda no sábado, em comunicado aos responsáveis, a instituição afirmou que professores e coordenação haviam determinado, durante o planejamento da feira, que o aparelho poderia ser exibido, mas não utilizado em pessoas.

Conforme o comunicado, as medições começaram perto do fim do evento, sem autorização da equipe. A escola afirma que os participantes se aproximaram voluntariamente do estande e que nenhum professor, coordenador ou funcionário orientou ou acompanhou os procedimentos.

A instituição ressaltou que o material é de uso individual e que o compartilhamento motivou o alerta às famílias. A escola interropu a atividade assim que a equipe percebeu o uso do instrumento. O aparelho e a caixa de lancetas foram recolhidos, e a responsável pela aluna foi orientada sobre a gravidade do ocorrido.

A filial do Tamandaré onde ocorreu o incidente é a mesma onde trabalhava um professor de inglês preso em outubro do ano passado acusado de importunar sexualmente alunas. A escola forneceu as imagens de segurança das aulas, que foram analisadas pelos policiais. Antes da denúncia, as adolescentes escreveram cartas para relatar os comportamentos do professor, mas o material foi retido por outro educador, segundo a polícia. Segundo o diretor, o acusado foi demitido.