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Acidentes de moto pressionam hospital no Noroeste Fluminense, com mais demanda por cirurgias, leitos e bancos de sangue

Referência regional em ortopedia, Hospital Avaí, em Itaperuna, recebe vítimas com fraturas complexas; pacientes enfrentam meses de recuperação e afastamento do trabalho

Agência O Globo - 13/09/2026
Acidentes de moto pressionam hospital no Noroeste Fluminense, com mais demanda por cirurgias, leitos e bancos de sangue
Acidentes de moto pressionam hospital no Noroeste Fluminense, com mais demanda por cirurgias, leitos e bancos de sangue - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A mesma motocicleta que encurta distâncias nas zonas rurais e urbanas pode, em segundos, interromper o dia a dia de uma família. Em Itaperuna, onde motos e motonetas representam 41,07% da frota, essa outra face da mobilidade acessível impacta diretamente o Hospital São José do Avaí, referência regional em trauma. No dia em que a equipe do GLOBO esteve na cidade, o ortopedista e traumatologista Gabriel Pillar operou a fisioterapeuta Gizelia Lemos, de 45 anos, vítima de um acidente de moto.

Arsenal de guerra:

Gizelia pilota desde os 17 anos e usa a moto para quase tudo — do trabalho ao transporte do filho. Até que, a cerca de 200 metros de casa, foi atingida num cruzamento por um carro cujo motorista, segundo relata, não percebeu sua aproximação. Ela fraturou o fêmur. Depois da cirurgia, terá de passar ao menos quatro semanas sem apoiar o pé no chão, e a recuperação pode mantê-la longe das atividades profissionais por seis meses.

— Gosto e preciso andar de moto, mas estou com receio. E faço de tudo para o meu filho não comprar uma — diz.

Menos acidentes de carro

Para o médico, um dos chefes de uma equipe multidisciplinar na unidade, acidentes envolvendo motociclistas sempre tiveram peso importante entre os traumas atendidos, mas se tornaram mais frequentes nos últimos cinco anos, enquanto ele percebeu a redução das ocorrências com automóveis. A unidade recebe pacientes encaminhados de municípios de todo o Noroeste, sobretudo quando há fraturas e lesões de maior complexidade. Além dos próprios pilotos acidentados, muitos dão entrada após serem vítimas de atropelamento por moto.

O efeito não termina na sala de cirurgia. Um trauma grave pode mobilizar ortopedia, cirurgia geral e neurocirurgia, além de exames, banco de sangue, internação e, nos casos mais severos, leitos de UTI. Segundo o médico, o hospital realiza cerca de 13 mil cirurgias por ano; aproximadamente duas mil delas são ortopédicas.

— Isso impacta a rotatividade e as outras áreas que não são de trauma. O melhor acidente é aquele que não acontece, porque, além de onerar os cofres públicos, tira uma pessoa do mercado de trabalho. Estamos prontos para a guerra, mas preferíamos que não houvesse — afirma Pillar.

Sem chuva:

Para o ortopedista, o avanço da motocicleta como solução de mobilidade torna ainda mais importante a formação dos condutores. Ele cita, entre as preocupações recentes, usuários de veículos elétricos (os chamados autopropelidos) que entram no trânsito sem experiência no guidão.

— Tem que educar como pilotar. O que se vê hoje, especialmente com essas motos elétricas, são pessoas que não tiveram treinamento algum.