RJ em Foco
Chuva não dá trégua: para decepção de cariocas e turistas, nuvens devem cobrir a cidade até sexta
Previsão de tempo encoberto e instável se mantém até meio da semana
Baixas e densas, as nuvens formam um teto meio cinza, meio chumbo que contrasta com a cor mais viva da areia vazia do Arpoador. Juntas, servem de moldura para as Ilhas Cagarras e o mar frio, mais escuro do que o normal, observados por dois solitários espectadores em suas cadeiras de praia sob um guarda-sol quase sem função. A imagem é bonita. Mas está bem longe de corresponder ao gosto e às expectativas de cariocas e, sobretudo, dos turistas que procuram a cidade em busca do cartão-postal ensolarado. O quadro, registrado ontem, repetiu-se praticamente todos os dias deste mês e, a julgar pelas previsões, deve permanecer até quinta-feira.
Teleférico do Alemão
Dinastia do samba:
Perto dali, na altura do Posto 5, na véspera, mas debaixo das mesmas condições de temperatura e pressão, as soteropolitanas Poena Del Rey Eça e Mairi Mattos caminhavam pelo calçadão de Copacabana sem esconder certa frustração com o cenário. A dupla saiu de Salvador — juntamente com outras duas amigas — para uma viagem de sonho cujo ponto alto acontecerá hoje no Rock in Rio. Chova ou faça sol.
— Quando a gente pensa no Rio, claro que o que vem à cabeça é sol, gente na praia, dias lindos... Mas a gente não se abate, não (risos). Nos preparamos. A gente vai curtir com sol ou com chuva. Nada vai atrapalhar o nosso dia, vai ser demais! — exulta a empresária Poena, de 49 anos, falando sobre as perspectivas para este sabadão de festival.
Literatura:
‘Foi massa’
Ontem, mesmo debaixo d’água, o animado quarteto subiu o Corcovado para ver o Cristo Redentor. O passeio não rendeu fotos muito boas, mas trouxe aprendizados.
— Levamos (para o Corcovado) uma capa de chuva fina. E vimos que não funcionou. Vamos providenciar capas mais grossas para o show. Além disso, levaremos meias extras na bolsa. Já temos nossa estratégia — revela Poena.
Depois da chuvarada na parte da manhã, o grupo aproveitou que o tempo abriu (de leve) e foi ao Pão de Açúcar sonhando com um pôr do sol. E não é que deu certo?
— Foi massa. O Rio é surpreendente sempre! — escreveu Poena em mensagem de WhatsApp acompanhada por foto do Cristo contra um céu alaranjado salpicado por poucas nuvens.
As superamigas de Salvador têm razão de investir em uma boa capa. Até porque guarda-chuvas são barrados na Cidade do Rock. Ana Carolina Freitas, de 23 anos, até trouxe uma bem resistente de Lages, sua cidade natal, em Santa Catarina, mas decidiu comprar um guarda-chuva por R$ 50 na fila para entrar, ontem, na área do festival. Mesmo sabendo que o objeto teria que ser deixado no portão de acesso. Tudo para não estragar o make-up:
— Comecei a me arrumar às 3h da manhã e cheguei aqui ainda de madrugada. Achei caro, mas seria mais caro ainda perder a maquiagem.
De acordo com o meteorologista César Soares, da Climatempo, a sequência de dias frios e chuvosos no Rio é incomum para esta época do ano.
Casos de Polícia:
— Há sucessivas passagens de frentes frias e avanços de instabilidades de São Paulo para o Rio. Nesse processo, fica um céu mais carregado, mais chuvoso e uma condição de ar mais frio se deslocando para a região. E isso não é muito comum nessa época do ano, principalmente porque a gente está sob influência do El Niño — explica Soares, avisando que essas condições devem permanecer até o meio da semana que vem.
O tempo mudou a paisagem também de um trecho da faixa de areia no Posto 5, em Copacabana, que apresentou uma coloração escura. O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) informou que fez uma vistoria no local e que a mancha pode ser de “um tipo de mineral que, após período de chuvas intensas e muito vento, acaba ficando exposto” já que a “faixa de areia é naturalmente composta por diferentes camadas sedimentares”. Outra possibilidade é que a coloração seja fruto de “poluição trazida pelas galerias de águas pluviais, que extravasam para o mar”.
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'A chuva apertou, pede mais um chope'
O clima tem impacto direto sobre o negócio de comes e bebes. Pesquisa da Associação Nacional de Restaurantes (ANR) mostra que, no Rio, com tempo chuvoso, a redução no gasto dos consumidores em bares é de 4,3% e chega a 7,7% quando o assunto são sobremesas. Na contramão, comida italiana e pizza têm aumento de cerca de 3%.
— O estudo mostra em números que existe mesmo essa correlação, algo que o setor sente na prática. Quando chove e faz frio, o consumidor se retrai, evita sair — diz Fernando Blower, presidente do Sindicato de Bares e Restaurantes do Rio (SindRio).
Para Marcella Sobral, colunista do GLOBO, é possível se divertir mesmo quando o clima não ajuda. Se liga nas dicas:
— Bares e restaurantes de bairro, pertinho de casa, são a pedida. A chuva deu uma trégua? Corre para lá. Apertou, pede mais um chope. Um luxo são os que têm varandinha coberta, como o Bracarense e o Jobi. Almoço dançante também está valendo, e a cidade tem novidades no Roxy, com cardápio da Kátia Barbosa ao som de bossa nova e cenário lindíssimo, e no Beco do Rato, com shows e caldinhos para aquecer.
(*) Estagiária sob a supervisão de Rafael Galdo
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