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PMs viram réus por morte de médica após confundirem carro da vítima com veículo suspeito em Cascadura

Justiça recebe denúncia do Ministério Público e afasta dois policiais do policiamento ostensivo; a médica Andréa Marins Dias foi morta ao deixar a casa dos pais no dia 16 de março deste ano

Agência O Globo - 11/09/2026
PMs viram réus por morte de médica após confundirem carro da vítima com veículo suspeito em Cascadura

Dois policiais militares do 9º BPM (Rocha Miranda) tornaram-se réus pela morte da médica Andréa Marins Dias, baleada após ter seu carro confundido com um veículo suspeito durante uma ação policial em Cascadura, na Zona Norte do Rio. O crime ocorreu em 15 de março deste ano. A denúncia por homicídio qualificado, apresentada pelo Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública do Ministério Público do Rio (GAESP/MPRJ) contra o subtenente José Jorge Ferreira Dias e o segundo-sargento Raphael Gomes Damasceno, foi recebida pela 2ª Vara Criminal da Capital.

Segundo o Ministério Público, os policiais realizavam buscas por veículos suspeitos de envolvimento em roubos quando começaram a perseguir um Corolla Cross prata, mas perderam o automóvel de vista. Pouco depois, localizaram um Corolla Cross branco, conduzido por Andréa, que deixava a casa dos pais, e abriram fogo sem confirmar se era o mesmo veículo.

A médica foi atingida por disparos no tórax e no abdômen, vindo a falecer ainda no local.

De acordo com a denúncia, os policiais agiram com dolo eventual ao efetuarem os disparos sem ter certeza da identidade do veículo, assumindo o risco de causar a morte de uma pessoa sem qualquer relação com a ocorrência investigada. A acusação se baseia em imagens de câmeras de segurança particulares e da Prefeitura do Rio, além de laudos periciais.

As investigações também indicam que os tiros atingiram a traseira do Corolla e foram disparados de surpresa, impedindo qualquer possibilidade de defesa da vítima.

Atendendo a um pedido do GAESP, a Justiça determinou o afastamento dos dois policiais das atividades operacionais e do policiamento ostensivo, além da suspensão do porte funcional de arma. Os policiais permanecerão em funções administrativas e estão proibidos de manter contato com testemunhas e familiares de Andréa Marins Dias, assim como de se aproximar deles a menos de 300 metros.