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Ex-deputado TH Joias e outros quatro viram réus por corrupção e tráfico de armas no Rio

Decisão unânime do TRF2 também mantém prisão preventiva do ex-deputado e determina sua transferência para penitenciária federal

Agência O Globo - 10/09/2026
Ex-deputado TH Joias e outros quatro viram réus por corrupção e tráfico de armas no Rio
TH Joias - Foto: Reprodução / Agência Brasil

O Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2) recebeu, nesta quinta-feira, a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra o ex-deputado estadual Thiego Raimundo de Oliveira Santos, o TH Joias, e outros quatro acusados de integrar uma organização criminosa ligada ao Comando Vermelho. A decisão, tomada por unanimidade pelos seis desembargadores da 1ª Seção, tornou os cinco réus por crimes como corrupção, tráfico de drogas e armas e contrabando.

Além de TH Joias, são réus Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como Índio; Luiz Eduardo Cunha Gonçalves, o Dudu; o ex-secretário estadual Alessandro Pitombeira Carracena; e o delegado da Polícia Federal Gustavo Stteel. O grupo é alvo da Operação Zargun, que investigou um esquema de corrupção e comércio ilegal de armas e drogas.

Segundo a denúncia do MPF, a organização mantinha integrantes em cargos públicos e atuava dentro da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) e de secretarias estaduais para obter informações policiais e facilitar negócios ilegais. Entre as acusações estão a negociação de munições de uso restrito, a intermediação da venda de drogas e o vazamento de informações de operações policiais.

Ainda de acordo com o MPF, o grupo importava clandestinamente bloqueadores de sinal de drones, equipamentos de uso proibido para pessoas físicas e empresas. Os aparelhos seriam utilizados para dificultar o monitoramento das forças de segurança durante operações em comunidades.

TH Joias atuava como líder, diz acusação

Conforme a acusação, TH Joias liderava a atuação do grupo dentro da Alerj. Assessores do então deputado teriam negociado munições de uso restrito, inclusive material recolhido em apreensões policiais, além de intermediar a venda de drogas e acomodar indicações da facção em seu gabinete.

Carracena, que ocupou cargos nas secretarias estaduais da Casa Civil e de Defesa do Consumidor, é acusado de integrar a organização e de vazar informações policiais em troca de vantagens indevidas.

Já o delegado Gustavo Stteel é acusado de repassar informações privilegiadas e tentar intervir em favor de integrantes do grupo. Segundo o MPF, entre as contrapartidas estaria a obtenção de cargos públicos para sua companheira.

TH Joias responde por organização criminosa majorada, tráfico de drogas, contrabando de equipamentos, corrupção ativa e comércio ilegal de armas de fogo e munições. Os demais acusados também respondem, em diferentes combinações, por crimes relacionados a organização criminosa, tráfico internacional e comércio ilegal de armas, tráfico de drogas, contrabando e corrupção.

Processo é desmembrado

Agora, o processo foi desmembrado. O núcleo central da organização será julgado pelo próprio tribunal, enquanto outros nove denunciados, entre policiais militares, assessores e intermediários, responderão à ação na primeira instância da Justiça Federal.

O TRF2 também manteve a prisão preventiva dos acusados, determinou a transferência de TH Joias para uma penitenciária federal e autorizou o compartilhamento de provas e o uso de bens apreendidos.

A ação penal tramita sob o número 5014431-82.2025.4.02.0000.