RJ em Foco
Conheça as histórias dos cinemas que vão entrar no programa de revitalização anunciado pela Prefeitura do Rio
O projeto propõe investimentos para que o cinéfilo tenha mais opções além das múltiplas salas de exibição em shoppings.
A Prefeitura do Rio de Janeiro anunciou o programa Reviver Cinema, com foco na revitalização de salas de exibição de filmes, contando com instalações próprias e parcerias com a iniciativa privada. O projeto tem como objetivo oferecer aos cinéfilos opções além das diversas salas de cinema existentes em shoppings.
Sessão Nostalgia:
A primeira fase do programa inclui equipamentos já existentes, como o Cinema Nova Brasília, localizado no Complexo do Alemão, e o Cine Santa, em Santa Teresa, além do Grupo Estação. Em uma segunda etapa, o plano adiciona salas de exibição de rua, que estiveram fechadas por décadas, como o Cine Matilde em Bangu, o antigo Cine Cachambi e o Cine Vaz Lobo, todos nos respectivos bairros.
Revitalização do Cinema Nova Brasília
Inaugurado em 2009, o Cinema Nova Brasília no Alemão reabre este mês com uma tela de resolução 4K, após uma reforma que custou R$ 580 mil. No final do ano, o Cine Santa, que opera em um imóvel municipal, inaugurará uma segunda sala no andar superior. Além disso, o Grupo Estação reabrirá em novembro o espaço onde teve sua origem, na Rua Voluntários da Pátria, 88, recebendo um investimento de R$ 1,5 milhão — parte do financiamento virá da distribuição de ingressos a professores e de ações de formação de plateia entre os estudantes da rede pública.
Curiosidade: Cine Matilde
Na Zona Oeste, o histórico Cine Matilde, fechado desde os anos 90, será revitalizado para se tornar um novo equipamento cultural. Durante seus anos de funcionamento, foi um importante ponto de encontro para famílias, jovens e trabalhadores de Bangu, e na década de 1960 era considerado um dos cinemas mais modernos da cidade.
A nova versão do Cine Matilde contará com um teatro para 250 pessoas, duas salas de cinema, espaço para exposições e uma área de convivência, incluindo bar e restaurante no rooftop. O cinema foi idealizado pelo comerciante Antônio Gama da Silva, que o nomeou em homenagem à sua esposa, Dona Matilde. O local, em sua época, possuía 1.360 poltronas estofadas, tela oval e um eficaz sistema de climatização.
Trend dos anos 80:
Leonardo Gama, de 48 anos e neto de Antônio Gama, recorda que seu avô era um idealista e tinha grandes planos para a obra. Em vez de construir o cinema no piso inferior, decidiu reservar esse espaço para lojas e instalar a sala no andar superior. O custo superou suas expectativas, levando-o a repassar o Cine Matilde para a rede Bruni, que posteriormente o vendeu para outros compradores.
Cine Vaz Lobo
O Cine Vaz Lobo, um dos maiores símbolos da cultura da Zona Norte, também faz parte do pacote da prefeitura. Fechado há várias décadas, o prédio será transformado em um equipamento cultural multifuncional, com espaço para cinema, teatro e atividades culturais e comunitárias.
Para historiadores que acompanham a trajetória do antigo cinema e fazem parte do Movimento Cine Vaz Lobo – Preservação, Cultura e Memória (MCVL), o anúncio representa um marco histórico. Eles defendem que o futuro espaço deve manter a identidade que fez do prédio uma referência cultural na Zona Norte.
— A arquitetura do Cine Vaz Lobo é única. Ele foi o principal cinema da região, com cerca de 2 mil assentos. Sua reabertura é de grande importância para todos — afirma o historiador e membro do MCVL, André Pereira.
Carnaval 2027: Cine Cachambi
O Cine Costinha, antigo Cine Cachambi, atualmente em processo de desapropriação pelo município, integra a segunda fase do projeto da prefeitura. Desativado há quarenta anos, o local, situado na rua que dá nome ao bairro, ainda apresenta sua sala de exibição em ruínas, dividindo espaço com um prédio residencial que abriga um hortifruti no térreo. Já funcionou ali uma loja de móveis.
Inaugurado quando os cinemas de rua eram importantes pontos de encontro nos bairros cariocas, o Cine Cachambi encerrou suas atividades em 1986 e permanece fora do circuito cultural desde então.
Modernizado em 1956, o antigo cinema foi frequente na infância do ator e diretor de TV Jorge Fernando (1955-2019), que morava em Del Castilho na época. O novo nome presta homenagem ao humorista Lírio Mário da Costa, conhecido como Costinha, que foi ilustre morador do bairro.
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