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Zona Sudoeste tem reforço de policiamento e barracas do Bope

Ação é para conter confrontos na região, onde será realizado o Rock in Rio a partir desta sexta-feira. O foco são cinco favelas, entre elas Rio das Pedras e Muzema

Agência O Globo - 04/09/2026
Zona Sudoeste tem reforço de policiamento e barracas do Bope
Rock in Rio - Foto: Reprodução / Instagram

A Zona Sudoeste, que recebe, a partir desta sexta-feira, o Rock in Rio, enfrenta uma rotina de confrontos devido à disputa entre facções do tráfico e milícias. Com o aumento da circulação de pessoas e a passagem por comunidades afetadas por confrontos armados, a Polícia Militar determinou o policiamento ostensivo em áreas consideradas sensíveis, visando conter a instabilidade em locais como Muzema, Rio das Pedras, Asa Branca, Vila Sapê e Gardênia. Os policiais também monitoram, por meio do trabalho de inteligência, movimentações relacionadas a possíveis ataques ou invasões, com o objetivo de identificar riscos e permitir que as equipes atuem de forma coordenada para prevenir ações criminosas.

Em documento interno do 2º Comando de Policiamento de Área (2º CPA) da PM, o comandante da área determinou o reforço do policiamento em algumas regiões durante todo o período do festival, até o dia 13 de setembro. Além da presença de agentes e viaturas nas áreas da Muzema, Asa Branca, Vila Sapê e Gardênia para “garantir a segurança da população e a preservação da Ordem Pública”, foi determinado o apoio de uma fração do Grupamento de Ações Táticas (GAT) às equipes que atuam na região de Rio das Pedras. A justificativa para o reforço do policiamento ostensivo é, segundo o documento, a “instabilidade em áreas sensíveis”.

De acordo com levantamento feito a pedido do O GLOBO, o Fogo Cruzado contabilizou 110 tiroteios na Zona Sudoeste nos últimos três meses, de junho a setembro. Nos oito primeiros meses deste ano, a região registrou 97 mortos e 80 feridos somente em troca de tiros. Neste fim de semana, quatro pessoas perderam a vida e 14 ônibus foram sequestrados após confrontos envolvendo milicianos e traficantes em diferentes pontos de Jacarepaguá e do Itanhangá.

O reforço do policiamento determinado pela PM tem como foco as comunidades que sofrem com confrontos diários entre traficantes de facções rivais e milicianos, situadas nas áreas de atuação do 18º BPM e do 31º BPM. A região do primeiro, que inclui Gardênia, Curicica, Jacarepaguá e Cidade de Deus, registrou, entre janeiro e o fim de julho, 149 mortes violentas — um aumento de 59% em relação ao mesmo período do ano passado.

Já a área do 31º BPM, que abrange Muzema, Itanhangá, Vargens e Recreio dos Bandeirantes, teve 56 mortes violentas nos sete primeiros meses deste ano, contra 53 no mesmo intervalo de 2022. Esses dados estão diretamente relacionados às ações do Comando Vermelho na área, que foram intensificadas nos últimos quatro anos, quando a cúpula da facção deixou claro seu interesse em expandir o domínio sobre comunidades controladas por milícias.

A região é considerada estratégica para o grupo criminoso devido à sua localização e potencial econômico, especialmente com a expectativa de crescimento e valorização. O CV já se estabeleceu em grandes partes das favelas locais e tomou comunidades que historicamente eram dominadas pela milícia, como Gardênia Azul, Muzema, vizinha de Rio das Pedras, Morro do Banco e Tijuquinha.

Investigadores apontam que a facção tem como um de seus principais objetivos criar um “cinturão” ao redor da Floresta da Tijuca, o que exige controle de Rio das Pedras, onde a milícia continua a atuar. Para o grupo, dominar essa área é estratégico, não apenas financeiramente, mas também para facilitar fugas em operações policiais ou confrontos com grupos rivais, permitindo acesso a outras áreas sob sua influência, como a Rocinha, na Zona Sul; o Morro dos Prazeres, em Santa Teresa, e o Complexo do Lins, na Zona Norte.

Nesta semana, o Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar montou uma base avançada em uma área de mata entre as comunidades de Muzema e Rio das Pedras, próxima ao Corredor do Itanhangá — um conjunto de vias que margeiam a região. A ação, que não tem prazo definido para finalizar, visa combater a disputa entre facções por territórios e foi motivada pela intensificação dos conflitos na área, sem relação direta com o plano de retomada da ADPF.

Segundo a PM, o acampamento serve como base para o deslocamento dos policiais e agilizaria o tempo de resposta das equipes. Além disso, permitirá acesso facilitado às trilhas utilizadas pelos grupos criminosos para se movimentar e tentar invadir áreas dominadas por facções rivais.