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MPRJ denuncia e prende três policiais civis por cobrança de propina a empresas de São Gonçalo

De acordo com a denúncia do MPRJ, os policiais atuavam uniformizados, armados e em viaturas oficiais da Polícia Civil para realizar as extorsões

Agência O Globo - 04/09/2026
MPRJ denuncia e prende três policiais civis por cobrança de propina a empresas de São Gonçalo
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (GAESP/MPRJ) denunciou e prendeu três policiais civis acusados de participar de uma associação criminosa armada que usava a estrutura da Polícia Civil para exigir ou solicitar dinheiro de comerciantes dos ramos de sucata, ferro-velho, reciclagem e depósito de resíduos em São Gonçalo. A denúncia revela que foram feitas investidas contra duas empresas, com cobranças iniciais de R$ 300 mil e R$ 20 mil. Um quarto homem que não era policial também foi preso.

De acordo com a denúncia do MPRJ, os policiais atuavam uniformizados, armados e em viaturas oficiais da Polícia Civil para realizar as extorsões. Segundo a denúncia, sob o pretexto de realizar fiscalizações, eles apontavam supostas irregularidades administrativas ou ambientais nas empresas e nos comércios. Para o MPRJ, “o uso da estrutura policial conferia aparência de legalidade às abordagens e criava um ambiente de intimidação para a cobrança de vantagens indevidas”.

Em uma das investidas do grupo, realizada em 19 de agosto contra a SOF Comércio e Reciclagem de Sucatas, os três policiais teriam exigido cerca de R$ 300 mil para que a empresa não fosse prejudicada pela suposta fiscalização. Diante da recusa dos responsáveis, a cobrança foi reduzida para R$ 100 mil, divididos em três parcelas, além de um pagamento mensal de R$ 800. A investigação não identificou, segundo o MPRJ, ordem de serviço, registro de ocorrência ou outra formalização da suposta fiscalização.

Naquele mesmo dia, a vítima transferiu R$ 25 mil para a conta de um dos denunciados, que, segundo o MPRJ, dava suporte financeiro ao grupo ao receber os valores cobrados dos comerciantes.

A segunda investida identificada pela investigação teve como alvo a Afermota Comércio e Distribuidora de Ferros. Segundo a denúncia, o grupo abordou um caminhão da empresa e seguiu as vítimas até o depósito. No local, eles se apresentaram como policiais da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA) e solicitaram R$ 20 mil aos responsáveis pelo estabelecimento.

As vítimas alegaram que não tinham a quantia, e os policiais reduziram o valor para R$ 15 mil. Nenhum pagamento foi realizado.

A ação, batizada de Operação Anhangá pelo MPRJ, “faz referência à figura do folclore indígena brasileiro conhecida como protetora dos animais e das florestas contra caçadores predatórios. O nome faz alusão à atuação contra agentes que, segundo a denúncia, teriam se valido da função de proteção e fiscalização para obter vantagens indevidas”, diz a nota.