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Super Alvinho: menino que vive com a mãe em abrigo no Rio é sondado para participar de evento para pequenos gênios na Bahia

A Associação Mensa Brasil, que organiza o encontro de jovens brilhantes, é afiliada a uma entidade fundada no Reino Unido em 1946 e presente em mais de cem países

Agência O Globo - 02/09/2026
Super Alvinho: menino que vive com a mãe em abrigo no Rio é sondado para participar de evento para pequenos gênios na Bahia
Super Alvinho

Priscila de Melo, mãe de Adriano Álvaro Melo, o Alvinho, de 10 anos, foi procurada por Julio Campos Filho, presidente do Mensa Brasil, que estuda a viabilização da ida do menino à Bahia para participar do encontro nacional de crianças e adolescentes superdotados, com três dias de atividades intelectuais, culturais e de integração que acontecerão de sábado à segunda-feira, em Salvador e Lauro de Freitas. A entidade também estuda o tipo de suporte que pode oferecer ao garoto.

Alvinho é um menino com altas habilidades que aos 7 anos havia desenvolvido o jogo “Super Alvinho”, após participar de um curso on-line de programação da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Sua inteligência e esperteza faziam com que ele despontasse no xadrez e numa turma de robótica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Mas a vida resolveu impor obstáculos extras ao futuro do menino que se projetava da favela para o mundo.

Seu último aniversário, de dez anos, em abril passado, foi comemorado numa casa de atendimento temporário e de emergência para pessoas em situação de rua, abandono ou vulnerabilidade social. Atualmente, ele está com a mãe em um abrigo no Grajaú, na Zona Norte carioca. A vida dos dois começou a mudar após perderem o apartamento onde moravam, em Itaboraí, e Priscila ser diagnosticada com tuberculose resistente a medicamentos. Separada e desempregada se viu sozinha com o filho sem ter para onde ir e, desde o começo do ano, já passaram vários três abrigos públicos.

A Mensa, que avalia a possibilidade de ida de Alvinho à Bahia, é uma associação sem fins lucrativos destinadas a pessoas com alto QI e chamada de "clube internacional de gênios". A entidade que está no país há 20 anos, foi fundada no Reino Unido e está presente em mais de cem países, reunindo pessoas com superdotação e altas habilidades. Além disso desenvolve diversos programas, como o de identificação e parceria para desenvolvimentos de políticas públicas, sobretudo nas áreas de saúde e de educação.

O AGzinho, como é batizado o encontro deste final de semana, é ispirado no Annual Gathering (AG), tradicional evento do Mensa, realizado anualmente para jovens brilhantes, destinados a associados entre 2 anos e meio e 17 anos. A proposta do evento é promover um espaço onde crianças e adolescentes encontram seus pares, compartilham interesses, desenvolvem novas habilidades e fortalecem vínculos sociais em um ambiente acolhedor e intelectualmente estimulante.

Desde que o drama de Alvinho foi noticiado pelo GLOBO, uma verdadeira rede de solidariedade se formou para ajudar o menino e sua mãe. Somente em doações em dinheiro os dois já receberam mais de R$ 100 mil, por meio do PIX (19252032711, Banco do Brasil). Além disso, a mãe do garoto também foi procurada por algumas instituições privadas de ensino com oferta de vaga. Uma delas partiu de uma instituição carioca com unidades em vários bairros, como Tijuca, Vila Isabel, Freguesia, Copacabana e Recreio. Ela contou que foi procurada também por uma instituição de ensino paulista, com o convite de ir à São Paulo para conhecer o estabelecimento.

Entretanto, o projeto dos dois é voltar para Cabo Frio, na Região dos Lagos, para que o menino consiga retomar os estudos numa escola particular da cidade, onde foi matriculado no começo do ano, após obter uma bolsa integral. O garoto perdeu o benefício quando a mãe dele teve de retornar ao Rio para tratar da doença na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). A bolsa havia sido conseguida por intermédio da direção da casa de atendimento temporário e de emergência para pessoas em situação de rua, abandono ou vulnerabilidade social, onde os dois se encontravam no município da região dos Lagos.

—Lá ele já estava acostumado aos professores e aos colegas, dos quais diz sentir saudades. Depois a gente pensa o que fazer no ano que vem — diz a mãe, que planeja o retorno a Cabo Frio para a semana que vem.

Priscila contou que já fez contato com a direção da escola para avaliar a possibilidade de retomada da bolsa, mas disse que independentemente do benefício, com as doações recebidas até agora, avalia que consegue se manter na cidade pelo menos até o final do ano e bancar as mensalidades.