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Professores de escolas particulares fazem paralisação de 24 horas por reajuste salarial

A greve foi aprovada em meio ao impasse da campanha que pede aumento de remuneração; educadores de mais de 20 instituições estão à frente de protestos em diferentes pontos da cidade

Agência O Globo - 02/09/2026
Professores de escolas particulares fazem paralisação de 24 horas por reajuste salarial
Professores de escolas particulares fazem paralisação de 24 horas por reajuste salarial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Professores das escolas particulares do Rio de Janeiro realizam uma greve de 24 horas nesta quarta-feira, em meio ao impasse nas negociações da campanha salarial da categoria. A paralisação pode afetar o funcionamento de unidades de ensino em diferentes regiões da cidade, mas a situação varia de escola para escola. Segundo o Sindicato dos Professores do Município do Rio de Janeiro e Região (Sinpro-Rio), pelo menos 19 instituições estão com as aulas paralisadas.

A greve foi aprovada pelos professores da Educação Básica da rede privada durante as negociações entre o Sinpro-Rio e o Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Rio de Janeiro (Sinepe-Rio). No início desta manhã, houve pequenas manifestações na Avenida Ayrton Senna, na Barra da Tijuca, na Praça Antero de Quental, no Leblon, e na Avenida Francisco Bicalho, na Leopoldina. Os docentes também farão um ato unificado no Largo do Machado, na Zona Sul.

Algumas instituições de ensino já confirmaram impacto da paralisação, enquanto outras decidiram manter as portas abertas. A Escola Parque e o Colégio Cruzeiro, por exemplo, informaram que receberão os alunos nesta quarta-feira, embora a rotina possa sofrer alterações em razão da adesão de parte dos professores ao movimento.

Em comunicado enviado aos responsáveis, o Colégio Cruzeiro afirmou ter tomado conhecimento nesta terça-feira de que parte de seus professores aderirá à paralisação convocada pelo Sinpro-Rio. Segundo a instituição, o movimento não tem relação direta com o colégio, que afirma já ter concedido antecipação do reajuste da categoria.

A direção informou que a escola permanecerá aberta e buscará manter o calendário letivo e as atividades pedagógicas planejadas. Ressaltou, no entanto, que a rotina poderá ser alterada de acordo com as ausências e com o número de professores que comparecerem ao trabalho.

Para Afonso Celso Teixeira, diretor do Sinpro-Rio, a greve é resultado de reivindicações que se acumulam há anos e de uma rotina de trabalho que vai além do tempo passado pelos professores dentro da sala de aula.

— As reivindicações têm sido feitas há anos. E o trabalho só aumenta. O professor chega em casa e continua trabalhando. O trabalho fora de sala de aula tem aumentado muito — enfatizou.

Impasse salarial

Entre as principais reivindicações dos professores está o reajuste salarial. O Sinpro-Rio afirma que a categoria reduziu de 8% para 6% o índice inicialmente reivindicado, enquanto a proposta apresentada pelo Sinepe-Rio foi de 3,77%, com retroatividade a abril.

A pauta também inclui a inclusão, nos salários, do equivalente a 3% referentes à hora-atividade, como forma de remunerar atividades realizadas fora da sala de aula, como planejamento, preparação de aulas, correção de provas e reuniões pedagógicas.

Segundo Afonso Celso Teixeira, esse trabalho extraclasse é um dos principais pontos da mobilização da categoria. A reivindicação é que esse tempo, necessário para o exercício da profissão, seja formalmente reconhecido na remuneração dos docentes.

A categoria reivindica ainda a criação de uma mesa paritária para discutir questões acadêmicas, um programa de equiparação salarial entre profissionais de diferentes segmentos da Educação Básica e a ampliação da licença-paternidade para 20 dias. Atualmente, segundo o Sinpro-Rio, professores da Educação Infantil e do Ensino Fundamental I têm pisos inferiores aos dos profissionais de outras etapas da Educação Básica.

A mobilização se intensificou nas últimas semanas. Um ato foi realizado na Barra da Tijuca em 21 de agosto e, quatro dias depois, uma mediação judicial entre o Sinpro-Rio e o Sinepe-Rio terminou sem acordo. Na assembleia realizada no sábado, dia 29, os professores aprovaram a greve de 24 horas e o ato desta quarta-feira.

Funcionamento varia de escola para escola

A expectativa do sindicato é de que a greve tenha adesão em instituições de ensino de diferentes regiões da cidade. O impacto sobre as aulas, no entanto, dependerá da adesão dos professores e das decisões tomadas pelas direções das escolas.

Por isso, uma instituição pode permanecer aberta mesmo com parte do corpo docente em greve, oferecendo atividades alternativas ou adaptando a rotina em função do número de professores presentes.

A reportagem procurou escolas apontadas como possíveis participantes da paralisação para saber como será o funcionamento nesta quarta-feira. Segundo o Sinpro, professores do Colégio São Vicente, Édem, CEAT, Sá Pereira, Andrews, Escola da Travessa, Ogamitá, Habitat (Recreio), Cruzeiro (Centro e Jacarepaguá), Santa Teresa de Jesus, Nossa Senhora de Lurdes (Botafogo), QI (Barra, Recreio, Freguesia e Tijuca), Maria Felipa, Semente do Saber, Escola Jangada, Casa da Mangueira e Teresiano aderiram à paralisação. Ainda de acordo com o sindicato, as instituições Sagrado Coração de Maria, Franco Brasileiro e Colégio Santos Anjos têm educadores nos atos, mas não estão totalmente paralisados.

A recomendação é que pais e responsáveis confirmem diretamente com cada unidade de ensino como será o funcionamento nesta quarta-feira.